Santa Catarina registrou 63% de crianças alfabetizadas ao fim do 2º ano do ensino fundamental em 2025, abaixo da média nacional de 66%, conforme dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O estado também ficou atrás de seis unidades da federação do Nordeste e teve um dos menores avanços do país.
O índice catarinense foi revisado de 59% para 63% após recurso da Secretaria de Estado da Educação ao Ministério da Educação. Antes da revisão, os dados indicavam queda de 62% em 2024 para 59% em 2025. Com o resultado final, Santa Catarina teve aumento de apenas um ponto percentual nos últimos anos, enquanto outras unidades da federação avançaram mais de 10 pontos percentuais.
O estado não alcançou a meta de 67% de crianças alfabetizadas em 2025 e terá como objetivo chegar a 70% em 2026. A meta nacional para 2030 é de 80%. O Ceará já atingiu 84% e busca alcançar 100%.
Entre os estados citados nos dados, Santa Catarina ficou atrás do Acre, com 68%; do Espírito Santo e do Maranhão, com 69% cada; de Alagoas, com 64%; da Paraíba, com 71%; e de Goiás e Paraná, ambos com 80%. O Piauí passou de 52% em 2023 para 60% em 2024 e chegou a 77% em 2025.
O deputado Fabiano da Luz, líder do PT na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), classificou os números como alarmantes. Para ele, o governo estadual priorizou investimentos no ensino superior em detrimento da educação básica. “A conta veio e quem vai pagar são as crianças das escolas públicas”, afirmou.
Crianças fora da escola
Dados do CadÚnico indicam que mais de 24 mil crianças entre 4 e 6 anos estão fora da escola em Santa Catarina, embora o ensino seja obrigatório nessa faixa etária. Segundo o Tribunal de Contas do Estado (TCE), o número de crianças consideradas de baixa renda quintuplicou entre 2020 e 2024.
Fabiano da Luz também afirmou não haver busca ativa do governo estadual para localizar essas crianças e enfrentar o problema. A educação infantil até os 6 anos é responsabilidade dos municípios, mas o governo de Jorginho Mello tem conduzido uma ofensiva para municipalizar escolas do ensino fundamental. As redes municipais ainda não conseguiram suprir a demanda da educação infantil de 0 a 3 anos.








