Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Atuação de Jorginho Mello é criticada por omissões e medidas sobre mulheres

Reações do governador a episódios envolvendo mulheres e políticas para educação de gênero são questionadas diante da violência em Santa Catarina.

O que Jorginho Mello tem contra as mulheres?

A atuação de Jorginho Mello diante de episódios envolvendo mulheres, indígenas e políticas de prevenção à violência de gênero é alvo de críticas. O governador de Santa Catarina busca a reeleição, mas não teria apresentado compromissos específicos para enfrentar o problema em seu plano de governo.

No último fim de semana, a advogada Fernanda Klitzke, candidata a suplente ao Senado pelo PT, foi imobilizada, atingida por disparos de bala de borracha e chutada durante uma ação da Polícia Militar em Jaraguá do Sul. A própria corporação informou que a ocorrência será investigada pela Corregedoria.

Diante das imagens, Jorginho não pediu apuração independente nem manifestou solidariedade à mulher ferida. Em vez disso, classificou o episódio como uma “tentativa da esquerda de montar uma armadilha contra a PM”.

Violência e estrutura de atendimento

Em julho, durante uma visita à barragem de José Boiteux, na Terra Indígena Ibirama-Laklãnõ, o governador também reagiu de forma agressiva a lideranças indígenas que protestavam. A cacica Antônia Paté cobrou respeito e ouviu de Jorginho: “E eu com isso?”. O Conselho Nacional de Direitos Humanos acionou a Procuradoria-Geral da República após o episódio.

As manifestações ocorreram enquanto a comunidade cobrava medidas de compensação pelos impactos da barragem, incluindo moradias e outras estruturas para o território. Durante entrevista no local, o governador afirmou que o Estado recuperava o que teria sido “destruído pelos indígenas”.

Santa Catarina tem um Plano Estadual de Combate à Violência contra as Mulheres para 2025–2035. Até 2027, estão previstas ações como levar conteúdos de prevenção da violência de gênero a 40% das escolas estaduais, criar quatro novas delegacias especializadas e manter o monitoramento eletrônico de agressores em 50 municípios prioritários.

A estrutura existente, porém, enfrenta problemas. Não há delegacia dedicada 24 horas às denúncias de violência contra as mulheres. Em maio, inspeções que motivaram fiscalização do Ministério Público apontaram falta de privacidade e acúmulo de ocorrências sem instauração de inquérito. Algumas unidades criadas neste ano funcionam nos mesmos prédios de delegacias já existentes, sem contratação de novos policiais ou formação especializada.

Santa Catarina também continua sem uma Casa da Mulher Brasileira. Em agosto, a unidade de Florianópolis ainda estava na etapa de articulação entre os órgãos responsáveis pela implantação.

Educação de gênero

No plano de governo para 2027–2030, não aparecem as expressões “feminicídio” e “violência contra as mulheres”. Ao mesmo tempo, em janeiro, Jorginho sancionou uma lei contra a chamada “doutrinação política e ideológica” nas escolas estaduais. Depois, outra legislação permitiu que famílias impeçam a participação de estudantes em atividades sobre identidade de gênero, orientação sexual e igualdade de gênero.

A Lei Maria da Penha prevê conteúdos escolares sobre direitos humanos, equidade de gênero e enfrentamento à violência doméstica. A restrição dessas discussões é apresentada como uma contradição com a necessidade de prevenir a violência antes que ela chegue ao feminicídio, enfrentando a desigualdade, o silenciamento e a naturalização da autoridade masculina.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.

Mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5