Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Sul

PF aponta promessa de influência de Vorcaro sobre o Banco Master após venda ao BRB

Relatório reúne mensagens entre Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro e descreve negociações, imóveis e a operação Vértice.

PF aponta promessa de influência de Vorcaro sobre o Banco Master após venda ao BRB
Foto: Reprodução/PF

A Polícia Federal identificou, em mensagens trocadas por WhatsApp, indícios de que Paulo Henrique Costa trabalhava para manter Daniel Vorcaro no controle do Banco Master mesmo após uma eventual venda ao Banco Regional de Brasília (BRB). A operação foi barrada pelo Banco Central no ano passado e não chegou a ser concluída.

O relatório que analisa as conversas tornou-se público na noite desta quinta-feira (10) e integra o inquérito principal do caso Master. A investigação apura a venda de carteiras fraudulentas ao BRB. O relator no Supremo Tribunal Federal (STF) é o ministro André Mendonça.

Mensagens sobre o controle do banco

Em 18 de abril de 2025, Costa afirmou que pensava em visitar a sede do extinto Banco Master, em São Paulo. Vorcaro respondeu que estaria em Brasília na quinta-feira, mas disse que o ex-presidente do BRB poderia ir em qualquer dia e tratar o banco como se fosse dele.

Na sequência, Costa escreveu: "Ele NUNCA deixará de ser o SEU banco". Para a PF, a ênfase nas palavras indicava um compromisso de Paulo Henrique com os interesses de Vorcaro e a intenção de assegurar que o Master continuasse sob o controle efetivo do empresário.

O documento também detalha conversas sobre seis apartamentos que, conforme a investigação, seriam entregues a Costa como propina. A polícia avaliou os imóveis em cerca de R$ 146 milhões.

O projeto Vértice

Em janeiro de 2025, Paulo Henrique enviou a Vorcaro um acordo de confidencialidade firmado entre o BRB e o Master para viabilizar o negócio. Ao ser questionado sobre o nome do projeto, Vorcaro respondeu: "Você é o capitão". Costa sugeriu Vértice, denominação que acabou sendo usada internamente no BRB.

Na avaliação da PF, o diálogo reforça que Costa atuava para concretizar a fusão entre as instituições.

Carteiras de crédito e investigação

Em janeiro deste ano, uma acareação entre Vorcaro e Costa buscou esclarecer divergências nos depoimentos sobre carteiras de crédito da empresa Tirreno. O Master havia vendido esses ativos ao BRB, mas a investigação afirma que eles não tinham lastro.

Costa disse que Vorcaro havia prometido carteiras do próprio Master. Vorcaro afirmou que sempre informou que os ativos eram de terceiros. Documentos internos do BRB, segundo a investigação, indicaram que o banco conhecia a origem dos ativos e ainda assim prosseguiu com a operação.

Paulo Henrique está preso preventivamente no âmbito da Operação Compliance Zero. Ele presidiu o BRB durante a gestão do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB). Em outubro de 2024, Costa também mencionou que preparava uma operação e um material solicitado pelo governador para responder a críticas. A PF interpretou a referência como uma adesão de Ibaneis à aquisição do Master.

O ex-governador afirma que confiou no trabalho de Costa. O ex-presidente do BRB tentou fechar um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), mas não conseguiu.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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