BRASÍLIA — Entidades do setor produtivo do Distrito Federal defenderam que as decisões sobre o Banco de Brasília (BRB) sejam tomadas com base em critérios técnicos e de governança, sem influência de disputas partidárias ou calendários eleitorais. A posição foi apresentada em manifesto assinado por cinco organizações.
O documento afirma que a recuperação do banco exige rigor técnico e apuração responsável diante de eventuais irregularidades. As entidades também pedem responsabilidade institucional na escolha de medidas que preservem a estabilidade, a continuidade das operações e os interesses da sociedade.
O manifesto destaca o papel do BRB no financiamento de empresas, na oferta de crédito, na criação de empregos e no suporte a serviços e programas públicos. Para as organizações, o banco integra a estrutura econômica do Distrito Federal e sua estabilidade interessa à força de trabalho, às empresas, às famílias e à economia local.
Entre as signatárias estão a Associação de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-DF), a Associação Brasiliense de Construtores (Asbraco), o Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do DF (CODESE-DF), a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fercomércio-DF) e o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-DF).
Empréstimo para o banco
A manifestação foi divulgada depois de a governadora Celina Leão informar que buscaria um empréstimo com representantes de bancos árabes para recompor as contas do BRB. A reunião com os Emirados Árabes estava prevista para a tarde desta quinta-feira.
Celina afirmou que o ministro Fux deu 15 dias para a União, outros entes e o Banco Central se posicionarem. Segundo ela, também havia uma proposta de empréstimo ao governo do Distrito Federal. A governadora não deu mais detalhes sobre o encontro.
O governo do Distrito Federal é acionista majoritário do BRB e tenta obter R$ 6,6 bilhões para recompor o patrimônio da instituição. O governo federal informou que não pode garantir a operação, mas o Distrito Federal mantém o pedido. O BRB havia tentado comprar o Banco Master e injetado R$ 16,7 bilhões na instituição. A operação foi barrada pelo Banco Central, e depois o BRB identificou que parte das carteiras adquiridas era fraudulenta e não tinha lastro.
Troca de acusações
A crise do banco se agravou desde novembro de 2025, quando a operação Compliance Zero revelou suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Em evento de campanha em Brasília nesta quarta-feira (16), Lula responsabilizou a ligação entre o ex-governador Ibaneis Rocha e Vorcaro pelos problemas do BRB e criticou Celina. A governadora, candidata à reeleição e opositora de Lula, respondeu nas redes sociais. Ela afirmou que o presidente estaria tentando quebrar o banco e criticou a recusa a um empréstimo para a instituição.








