Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Sul

Bahia precisa ampliar prevenção climática e criar fundo estadual, aponta diagnóstico

Estudo recomenda metas para 2027-2030, investimentos em adaptação, segurança hídrica e transformação da indústria baiana.

Bahia precisa ampliar prevenção climática e criar fundo estadual, aponta diagnóstico
Foto: Divulgação

Um diagnóstico do Centro Brasil no Clima (CBC) recomenda que a Bahia adote um planejamento de médio e longo prazo para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Entre as principais propostas estão a criação de um Fundo Estadual de Mudanças Climáticas, a definição de metas mensuráveis e o monitoramento das ações públicas.

O levantamento foi usado para elaborar cartas de recomendação aos candidatos ao governo estadual para a gestão 2027-2030. O documento identifica riscos relacionados à falta de água no semiárido, a deslizamentos em áreas urbanas, à produção agrícola, à conservação dos biomas e à geração de energia.

Financiamento e adaptação

De acordo com Fernanda Westin, pesquisadora e gerente do CBC, um fundo específico poderia direcionar recursos públicos para projetos climáticos e ajudar a atrair investimentos privados e internacionais. Entre as possibilidades estão a restauração da Caatinga, a recuperação de microbacias, obras de macrodrenagem e contenção de encostas, o Pagamento por Serviços Ambientais para pequenos produtores e programas de transição tecnológica para a indústria baiana.

“Sem um fundo específico, o estado perde a capacidade de alavancar recursos internacionais”, afirmou Westin. Na avaliação apresentada por ela, a dependência do orçamento geral favorece respostas aos desastres depois que eles ocorrem, em vez de investimentos preventivos.

A Bahia já conta com iniciativas relacionadas à adaptação. O projeto Sertão Vivo atende pequenos agricultores do semiárido, com sistemas produtivos resilientes e cisternas, e inclui recursos do Fundo Verde para o Clima.

Riscos nos biomas

No semiárido, o aumento das temperaturas e a irregularidade das chuvas podem acelerar a degradação do solo, a desertificação e a escassez hídrica, afetando a agricultura familiar e a segurança alimentar. O CBC recomenda ampliar a segurança hídrica, expandir tecnologias sociais de captação de água da chuva, utilizar reúso de águas cinzas, instalar dessalinizadores solares e implementar o Plano Estadual de Combate à Desertificação.

Também são indicados a restauração ecológica da Caatinga, o manejo sustentável do solo e a assistência técnica voltada à agroecologia e às agroflorestas adaptadas à seca. Westin afirmou que o avanço da desertificação pode provocar perda de terras agricultáveis, esvaziamento econômico de municípios do interior, migração forçada e aumento dos custos de assistência social e saúde pública.

Nas cidades e zonas costeiras, eventos extremos de chuva elevam os riscos de deslizamentos e alagamentos. Salvador, Feira de Santana e municípios da região metropolitana são citados no diagnóstico. A elevação do nível do mar e as ressacas também pressionam a infraestrutura e o turismo. No Oeste baiano, alterações nas chuvas e ondas de calor podem afetar a água usada pela produção agrícola.

Indústria e metas

O estudo propõe consolidar a Bahia como polo de hidrogênio verde e de cadeias industriais de baixo carbono, com uso das fontes eólica e solar na reindustrialização do Polo Industrial de Camaçari e dos complexos de Aratu e Salvador. O relatório recomenda ainda a participação no Fórum de Powershoring, que busca mobilizar R$ 77 bilhões em investimentos regionais entre 2027 e 2030.

Entre as medidas sugeridas estão a substituição de combustíveis fósseis por eletricidade renovável e hidrogênio verde, a adoção de economia circular e simbiose industrial e a vinculação de incentivos fiscais a metas de redução de emissões e eficiência energética. O CBC também propõe proteção, restauração e reflorestamento da Mata Atlântica, do Cerrado e da Caatinga.

Para 2027-2030, as metas prioritárias envolvem a operacionalização do Fundo Estadual de Mudanças Climáticas e sua inclusão no Plano Plurianual (PPA); a recuperação de áreas degradadas e o atendimento a famílias com sistemas sustentáveis; e a redução da vulnerabilidade em encostas e periferias, com planos de adaptação municipais e obras de contenção e drenagem em áreas mapeadas pelo Cemaden e pelo Inema.

Em setembro de 2026, a Secretaria do Meio Ambiente participou de uma oficina para construir o Atlas das Áreas Suscetíveis à Desertificação. Dados divulgados pela Sema indicaram que, entre agosto de 2025 e julho de 2026, a Bahia registrou no Cerrado a menor área sob alertas de desmatamento desde o início da série histórica do Deter, em 2017/2018. Os alertas indicam possíveis alterações na cobertura vegetal, mas não confirmam isoladamente uma infração.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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