O Conselho Deliberativo do São Paulo analisa a recomendação da Comissão de Ética para expulsar Julio Casares do quadro associativo. O documento, elaborado no último dia 24, aponta gestão temerária durante o período em que ele dirigiu o clube, de 2021 a 2026.
Casares foi enquadrado no artigo 34 do estatuto social. Para a aplicação da pena, são necessários 171 votos favoráveis entre os 255 integrantes do Conselho, o equivalente a dois terços do colegiado.
A recomendação também prevê o ressarcimento aos cofres do clube de valores que tenham sido usados para fins particulares. A Comissão de Ética decidiu de forma unânime pela expulsão. O relatório foi elaborado por Luiz Braga, que integrou o grupo ao lado de Mario Celso Braga, Milton Jose Neves Junior, José Edgard Galvão Machado e Fabio Cesar de Souza Azambuja.
Crise e renúncia
A crise que levou ao processo começou em dezembro do ano passado, após a identificação de um esquema de comercialização de ingressos para o camarote 3A, no setor leste do Morumbis. O espaço aparece em documentos internos como sala presidência e ficava em frente ao antigo escritório de Casares.
Douglas Schwartzmann, ex-diretor adjunto de futebol de base e braço-direito do dirigente, e Mara Casares, ex-esposa de Julio Casares e ex-integrante da diretoria, admitiram em áudio que receberam dinheiro com a venda de ingressos para o camarote. A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar o caso.
Conselheiros protocolaram um pedido de impeachment no dia 23 de dezembro. Após a aprovação do Conselho Deliberativo, Casares renunciou ao cargo no dia 21 de janeiro, antes da Assembleia Geral dos sócios e da decisão final sobre o processo.
Saques e despesas
Em março, o Conselho Deliberativo reprovou o balanço financeiro de 2025, apesar do superávit de R$ 56 milhões. A decisão considerou saques suspeitos atribuídos a Casares, que totalizariam R$ 7 milhões sem documentação ou justificativa.
Um relatório apontou que o ex-presidente retirou R$ 11 milhões ao longo da temporada. Desse total, R$ 4 milhões tinham justificativa, enquanto R$ 6.953.000 foram classificados como despesas promocionais sem explicação ou comprovação. A auditoria alertou para a falta dos documentos.
Também foram identificados R$ 1 milhão em gastos no cartão corporativo do São Paulo durante o mandato, incluindo 71 idas ao Esch Café, 53 pagamentos ao Gero e despesas em lojas de luxo.







