Uma urna enterrada na área onde hoje está o Palácio das Esmeraldas, na Praça Cívica, guarda documentos e objetos ligados ao início da construção de Goiânia. A cápsula foi colocada junto à pedra fundamental da nova capital em 24 de outubro de 1933, quando o município ainda não tinha esse nome oficialmente.
Relatos históricos mencionam uma cópia da ata da cerimônia, cartões, jornais e moedas da época. Um registro publicado pelo Diário do Congresso Nacional em 1991 também aponta que um exemplar de “Goyania”, poema épico de Manuel Lopes de Carvalho Ramos, teria sido colocado na urna.
O lançamento da pedra fundamental
A escolha da área para a nova capital havia sido definida cinco meses antes. O Decreto Estadual nº 3.359, de 18 de maio daquele ano, indicou terras próximas a Campinas, às margens do Córrego Botafogo e entre as fazendas Crimeia, Vaca Brava e Botafogo. O planejamento da cidade ficou sob responsabilidade do urbanista Attilio Corrêa Lima.
A cerimônia ocorreu em um terreno elevado. A história oficial publicada pelo Governo de Goiás identifica o local como a área atualmente ocupada pelo Palácio das Esmeraldas. A data escolhida por Pedro Ludovico Teixeira também fazia referência ao terceiro aniversário do movimento de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder.
Informações reunidas a partir do livro “Como Nasceu Goiânia”, de Ofélia Sócrates do Nascimento Monteiro, relatam que a ata dos acontecimentos foi guardada na urna depois da cerimônia. O conjunto teria sido fechado e selado.
A relação com o nome Goiânia
Publicado em 1896, na cidade do Porto, em Portugal, “Goyania” trata de Goiás em forma de poema épico. A obra antecede a construção da capital e é associada posteriormente à origem do nome Goiânia.
Em 1933, “Goiânia” apareceu entre as sugestões de um concurso promovido pelo jornal O Social para batizar a nova cidade. “Petrônia”, referência a Pedro Ludovico, recebeu 105 votos, enquanto “Goiânia” teve menos de dez. A votação não definiu o nome final: quando o município foi criado, em 1935, o interventor escolheu Goiânia sem explicar publicamente a decisão.
Localização e estado da urna
A documentação oficial confirma que a pedra fundamental foi lançada no local onde atualmente está o Palácio das Esmeraldas. Relatos posteriores são mais específicos e indicam que a urna estaria sob o elevador do edifício.
Não há registro recente de inspeção, abertura ou retirada da cápsula, nem indicação de que ela tenha sido aberta desde o lançamento da pedra fundamental. Por isso, não se sabe em que condições estão os papéis, jornais, moedas e demais objetos guardados no interior.
A urna também não tem, nas fontes públicas consultadas, uma data definida para ser aberta. Diferentemente de cápsulas contemporâneas criadas para recuperação futura, ela integra a tradição de colocar atas, jornais, moedas e outros objetos nas pedras fundamentais para registrar a criação de edifícios, instituições e cidades.
O município de Goiânia só foi criado legalmente em 2 de agosto de 1935, pelo Decreto Estadual nº 327. A transferência definitiva da capital ocorreu em 1937, e o Batismo Cultural foi realizado em julho de 1942. Assim, a cápsula está ligada ao primeiro marco da formação da cidade: o momento em que a futura capital ainda era um projeto e começava a ser construída.








