Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Estação Ferroviária reforça o eixo histórico da Avenida Goiás em Goiânia

O planejamento urbano colocou a Praça Cívica e a área ferroviária nas extremidades de um dos principais eixos da capital.

Estação Ferroviária reforça o eixo histórico da Avenida Goiás em Goiânia
Foto: Acervo/Prefeitura de Goiânia

A posição da antiga Estação Ferroviária diante da Avenida Goiás foi definida no planejamento urbano de Goiânia antes mesmo da construção do prédio atual. O projeto original reservou uma extremidade do eixo ao centro político-administrativo e a outra à ferrovia, prevista como parte importante da organização da nova capital.

A avenida foi concebida como o principal percurso norte-sul do núcleo planejado. De um lado, estava a Praça Cívica, onde se concentrariam o governo e edifícios como o Palácio das Esmeraldas. Do outro, a área destinada aos trilhos e à zona industrial. A configuração ainda pode ser percebida no Centro, com a estação funcionando como marco visual no fim do percurso.

Um planejamento anterior aos trilhos

O primeiro plano urbanístico de Goiânia foi elaborado pelo arquiteto e urbanista Attílio Corrêa Lima. A proposta separava áreas de administração, comércio, moradia e indústria, conectadas por grandes avenidas. A Avenida Goiás avançava a partir da Praça Cívica em direção à área reservada para a futura ferrovia.

A dissertação “Avenida Goiás: lugar, monumento e memória”, desenvolvida na Universidade Federal de Goiás, identifica a ligação entre a Praça Cívica e a Estação Ferroviária como uma das principais composições do traçado inicial. O estudo também trata a via como uma avenida-jardim, com espaço para circulação, passeios públicos, manifestações cívicas, arborização e convivência.

A topografia fazia parte da composição. A Praça Cívica foi posicionada em uma área elevada, enquanto o eixo da Avenida Goiás seguia para uma região mais baixa. Essa disposição destacava visualmente o núcleo administrativo e conduzia a perspectiva urbana até a extremidade ferroviária.

Governo, comércio e transporte no mesmo eixo

A ferrovia tinha importância estratégica para o desenvolvimento das cidades do interior brasileiro. Os trilhos facilitavam o transporte de produtos, reduziam distâncias e ampliavam o contato com mercados consumidores. Por isso, a área ferroviária foi incorporada ao projeto da capital mesmo antes da chegada física da linha.

A zona industrial foi planejada nas proximidades da ferrovia, aproximando as atividades produtivas do transporte de cargas. Já o centro comercial se concentraria principalmente no encontro das avenidas Goiás e Anhanguera. O plano distribuía diferentes funções ao longo dos principais caminhos urbanos.

Quando a estação passou a operar, quem desembarcava encontrava a Avenida Goiás em frente e podia seguir até a área comercial, cruzar a Avenida Anhanguera e chegar à Praça Cívica. No sentido contrário, o mesmo eixo ligava o centro administrativo à ferrovia.

A estação consolidou uma perspectiva prevista

Goiânia começou a ser construída na década de 1930, mas os trilhos demoraram anos para alcançar a capital. A Prefeitura utiliza 1950 como uma das referências históricas para a inauguração da estação. Estudos registram diferenças entre as datas de chegada dos trilhos, inauguração formal e início da operação.

A cronologia, porém, não altera o ponto central do planejamento: a infraestrutura ferroviária já havia sido considerada quando a Avenida Goiás foi desenhada. O edifício construído posteriormente consolidou fisicamente a perspectiva prevista para aquele trecho da cidade.

Com o crescimento de Goiânia, a avenida também passou a reunir comércio, lazer e encontros entre moradores. Pesquisas sobre a memória urbana registram a prática do footing, quando jovens caminhavam pelo local para conversar e acompanhar o movimento. O eixo projetado para organizar a capital ganhou novas formas de uso sem perder completamente sua estrutura inicial.

A ferrovia perdeu espaço com o avanço do transporte rodoviário, e o prédio deixou de cumprir sua função original. Ainda assim, a antiga estação permaneceu alinhada à Avenida Goiás e passou a ser reconhecida como patrimônio histórico, integrando o conjunto Art Déco associado aos primeiros anos da capital.

A sequência entre Praça Cívica, Avenida Goiás e Estação Ferroviária continua legível no Centro. A estação não foi colocada ao acaso diante da avenida: a área ferroviária já era uma referência do projeto que organizou a nova capital.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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