Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

PF relata pedido de reunião de Flávio e Eduardo com Daniel Vorcaro

Mensagem apreendida cita encontro sobre o filme “Dark Horse” no mesmo dia em que Eduardo anunciou que ficaria nos Estados Unidos.

PF: Eduardo e Flávio pediram reunião com Vorcaro em dia de mudança aos EUA
Foto: Reprodução

Uma mensagem enviada ao banqueiro Daniel Vorcaro cita um pedido de reunião feito por Flávio e Eduardo Bolsonaro para tratar do filme “Dark Horse”. O contato ocorreu no mesmo dia em que Eduardo anunciou que havia decidido morar nos Estados Unidos, conforme relatório da Polícia Federal anexado ao inquérito sobre suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas no financiamento da produção.

A mensagem foi enviada pelo publicitário Thiago Miranda, que intermediava as tratativas. Às 9h34 de 18 de março de 2025, ele escreveu a Vorcaro: “Flavio B e Eduardo querem marcar uma agenda com vc. Filme.” Às 11h37, Eduardo publicou uma convocação para uma live em que anunciaria a decisão de permanecer nos Estados Unidos.

O relatório não registra qual foi a resposta de Vorcaro nem informa se a reunião ocorreu. Eduardo e Flávio estão entre os investigados. A PF apura se parte dos recursos destinados ao filme foi usada para bancar Eduardo no país.

Repasses para o filme

O primeiro repasse determinado por Vorcaro ocorreu pouco mais de um mês antes do anúncio de Eduardo. Outros dois foram feitos seis dias depois. O documento foi tornado público por decisão do ministro André Mendonça, do STF.

Eduardo está nos Estados Unidos desde 27 de fevereiro de 2025. Na época do primeiro pagamento, de US$ 2 milhões em 13 de fevereiro de 2025, ele fazia sua terceira viagem ao país. Em 24 de fevereiro, foi informado que Eduardo havia participado de uma conferência e passado duas semanas em contatos com autoridades americanas sobre o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

O contrato previa 14 parcelas, todas repassadas no dia 5. As duas primeiras seriam de US$ 2 milhões em janeiro de 2025, e as outras 12, de US$ 1,66 milhão. Os pagamentos, porém, ocorreram fora desse cronograma.

Os recursos foram enviados pela empresa Entre Investimentos ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo. Em 21 de março de 2025, Thiago Miranda encaminhou a Vorcaro uma captura de tela atribuída a Eduardo, com orientações sobre a gestão do dinheiro no país e menção à possibilidade de transferir a maior quantidade possível dos valores pelo modelo utilizado.

Em 24 de março, foram registrados repasses de US$ 2 milhões e US$ 1,66 milhão. A PF também identificou quatro transferências de US$ 1,66 milhão em 2025: duas em 25 de abril, uma em 29 de maio e outra em 16 de setembro.

Suspeitas e manifestações

A demora nos pagamentos levou Flávio a cobrar Vorcaro. O relatório afirma que, inicialmente, o senador negou ter relação com o banqueiro e depois disse que o contato ocorreu por causa do atraso das parcelas para concluir o filme.

O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, confirmou em delação premiada ter enviado US$ 12 milhões, equivalentes a R$ 72 milhões, ao Havengate. Flávio teria negociado US$ 24 milhões, ou R$ 134 milhões, com Vorcaro para financiar o filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao pedir a abertura da investigação, a PF apontou a necessidade de esclarecer a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores. Entre os elementos citados estão o contrato com aportes considerados discrepantes dos custos de produções brasileiras, o fluxo de pagamentos, a orientação para pagar por meio da Entre Investimentos, as tratativas sobre a estrutura financeira e as cobranças feitas por Flávio.

Eduardo afirmou que nunca conversou nem se reuniu com Vorcaro e negou relação entre sua mudança para os Estados Unidos e o dinheiro do filme. “De forma inequívoca: nunca me encontrei com Vorcaro, pessoalmente ou por videoconferência”, declarou em nota. A equipe de Flávio não comentou. Ele afirma não ter cometido irregularidades e defende o fim do sigilo da investigação.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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