A Polícia Federal afirma que Eduardo Bolsonaro orientou a forma de gestão, nos Estados Unidos, dos recursos enviados por Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. O relatório aponta que o ex-deputado pediu que o dinheiro fosse direcionado a um fundo administrado por seu advogado.
As informações estão em documentos tornados públicos na 6ª feira (11.set.2026), após André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, retirar o sigilo das investigações a pedido de Edson Fachin, presidente da Corte, e da Procuradoria Geral da República.
Fundo recebeu repasses em 2025
Segundo os investigadores, conversas extraídas do celular de Vorcaro mostram intermediários transmitindo orientações atribuídas a Eduardo. Em 21 de março de 2025, Thiago Miranda enviou ao empresário uma captura de tela de um diálogo atribuído ao ex-deputado.
O material mencionava a possibilidade de enviar a maior quantidade possível de valores pelo modelo que estava em uso e citava a disponibilidade de Altieres Santana. A PF descreve Santana como corretor nos Estados Unidos com experiência nos mercados imobiliário e financeiro.
Santana participava da gestão do Havengate Development Fund LP ao lado de Paulo Sérgio Camin Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. Conforme o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, a Entre Investimentos e Participações Ltda. repassou US$ 12,3 milhões ao fundo durante 2025.
O contrato de financiamento da obra previa US$ 24 milhões, equivalentes a cerca de R$ 134 milhões à época. Criado em 2020 para um projeto imobiliário no Texas que prometia green card a investidores, o Havengate não colocou o empreendimento em prática. O fundo ficou inativo por 4 anos e foi reativado em fevereiro de 2025 para receber os recursos destinados ao filme.
Tratativas para reunião
A PF também registrou conversas sobre encontros presenciais. Em março de 2025, Thiago Miranda informou a Daniel Vorcaro que Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro queriam marcar uma reunião sobre o andamento do financiamento da produção.
A investigação busca esclarecer a atuação de Flávio Nantes Bolsonaro, Eduardo Nantes Bolsonaro, Mário Luís Frias, Thiago Miranda Silva, Fabiano Campos Zettel, Paulo Sérgio Camin Calixto, Altieres Santana e outros envolvidos na montagem, cobrança e destinação dos aportes.
Eduardo Bolsonaro foi questionado sobre as informações do relatório, mas não havia respondido até a publicação das informações.








