Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

PF não esclarece destino de R$ 6,2 milhões recebidos pela ANC

Associação ligada à produtora de “Dark Horse” recebeu R$ 6.175.273,64 de empresas conectadas ao Instituto Conhecer Brasil.

Dark Horse: Investigação não encontra destino de R$ 6 milhões recebidos por entidade ligada à produtora do filme

A Polícia Federal ainda não esclareceu o destino de cerca de R$ 6,2 milhões recebidos pela Academia Nacional de Cultura (ANC), associação comandada por Karina Ferreira Gama, também responsável pela produtora Go Up Entertainment, do filme “Dark Horse”, dedicado a Jair Bolsonaro (PL).

Entre julho de 2024 e dezembro de 2025, a ANC recebeu R$ 6.175.273,64 de quatro empresas que, no mesmo período, haviam obtido recursos do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à mesma empresária. Os valores aparecem em Relatórios de Inteligência Financeira produzidos pelo Coaf.

A investigação considera relevante a diferença entre os recursos identificados nas transações e a movimentação registrada pela própria associação. Entre maio de 2025 e maio de 2026, o relatório financeiro da ANC apontou R$ 1,1 milhão em movimentações, sendo R$ 565 mil em créditos e R$ 525 mil em débitos.

Para a PF, a discrepância pode indicar a existência de outras contas bancárias não comunicadas ao Coaf. A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação realizada na quinta-feira (10), também menciona a ausência de comunicações correspondentes às contas da entidade.

“Chama a atenção o fato de ser essa a única comunicação de titularidade da ANC”, afirma a investigação, ao apontar que a associação aparece como destinatária de valores superiores aos registrados em sua própria comunicação financeira.

Recursos públicos sob investigação

A apuração busca determinar se, além dos recursos privados associados a Daniel Vorcaro, houve desvio de verbas públicas para financiar “Dark Horse”. O caso ganhou força depois que Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, admitiu ter pedido dinheiro a Vorcaro, do Banco Master, para a produção sobre seu pai. Dos cerca de R$ 130 milhões prometidos pelo ex-banqueiro, R$ 60 milhões teriam sido repassados.

Segundo a PF, o possível esquema teria envolvido emendas parlamentares do deputado Mario Frias (PL-SP) e verbas da Prefeitura de São Paulo. O ICB recebeu R$ 1 milhão em emendas de Mario Frias e R$ 108 milhões em um contrato com a prefeitura para instalar pontos de wi-fi. A suspeita é que parte desses recursos tenha circulado por empresas e entidades vinculadas a Karina Gama, entre elas a ANC e a Go Up Entertainment.

A Polícia Civil de São Paulo também investiga o caso e apura se o ICB usou faturas e notas fiscais descritas como frias para justificar despesas pagas com recursos municipais.

A ANC já havia recebido recursos de emendas para uma série documental sobre heróis nacionais. O projeto recebeu R$ 2,6 milhões destinados por Marcos Pollon (PL-MS), Bia Kicis (PL-DF), Carla Zambelli, então deputada pelo PL de São Paulo, e Alexandre Ramagem, que exercia mandato pelo PL do Rio de Janeiro. A PF afirma que as emendas de Bia Kicis e Marcos Pollon não foram transferidas pelo governo paulista à associação por problemas normativos e técnicos na formalização da parceria.

Em 2025, Gil Diniz (PL), deputado estadual paulista, destinou R$ 200 mil à produção “Heróis Nacionais – filhos do Brasil que não se rende”. O pagamento ocorreu em agosto daquele ano.

Outra linha da investigação verifica se parte dos valores pagos por Daniel Vorcaro foi enviada aos Estados Unidos para custear despesas de Eduardo Bolsonaro, que atua no exterior em busca de apoio do governo de Donald Trump contra a eleição de Lula (PT).

Defesa de Karina Gama

A defesa de Karina Gama afirmou, no dia da operação, que a empresária colaborava voluntariamente com a investigação. Os advogados disseram que ela entregou mais de 20 mil laudas de documentos após solicitação da PF.

Neste domingo (13), a defesa avaliou positivamente a retirada do sigilo da investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo sobre o filme. Em nota, afirmou que Karina Gama sustenta não ter cometido ilícito e que a exposição dos fatos demonstrará sua posição no caso.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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