Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Documento liga plano de terras raras a eventual governo de Flávio Bolsonaro

Apresentação em inglês prevê parceria com os Estados Unidos e investimentos de até US$ 100 bilhões em minerais críticos.

Um documento elaborado por André Marinho apresenta diretrizes para uma eventual parceria entre Brasil e Estados Unidos na exploração de minerais críticos e terras raras durante um possível governo de Flávio Bolsonaro. O material, escrito em inglês, tem 22 páginas e foi produzido em 19 de março deste ano, conforme os metadados do arquivo. Marinho confirmou ser o autor, mas negou ligação com a campanha do senador.

A capa da apresentação identifica o projeto como “Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign”. Nas demais páginas, aparece a marca “Flávio Bolsonaro” acompanhada do slogan “Prosperity Partnership”. O documento afirma que uma administração do PL posicionaria o Brasil como fornecedor e polo de processamento de minerais críticos alinhado aos Estados Unidos e ao Ocidente.

Plano para minerais críticos

O material defende que o Brasil deixe de exportar apenas matéria-prima, evite dependência estrutural de cadeias de processamento chinesas e se aproxime dos Estados Unidos para criar uma cadeia alternativa de abastecimento. Entre as medidas propostas estão mudanças na legislação minerária e no licenciamento, apoio americano à demanda por minérios brasileiros, estabilidade de preços, processamento nacional e integração entre capital dos Estados Unidos e ativos brasileiros.

Também são citados o ingresso do Brasil em um bloco de suprimentos alinhado aos Estados Unidos e o tratamento dos minerais críticos como ativos de segurança nacional. Para os americanos, o documento aponta possíveis ganhos na infraestrutura de inteligência artificial, nos sistemas de defesa, na transição energética e na mobilidade elétrica.

Para o Brasil, a apresentação prevê avanço na cadeia de valor, atração de capital estrangeiro de longo prazo, empregos de alta qualificação e maior influência geopolítica. Uma projeção para um horizonte de dez anos estima investimentos entre US$ 50 bilhões e US$ 100 bilhões em mineração, refino e processamento. O texto também calcula a criação de 500 mil a 1 milhão de empregos e uma elevação de 1,5 a 2,5 pontos percentuais no PIB.

O documento classifica o governo Lula como alinhado à China e critica o que chama de lentidão regulatória, industrialização incerta e atração reativa de capital no setor. Entre os riscos de uma continuidade do atual presidente, estão a transformação do Brasil em fornecedor de matérias-primas para a China, a perda de oportunidades industriais e o fim da janela para uma aproximação com a cadeia de suprimentos dos Estados Unidos.

Relações com o trumpismo

André Marinho é candidato do Partido Novo ao governo do Rio de Janeiro e filho de um suplente de Flávio Bolsonaro ao Senado. Ele admitiu ter analisado com a Rockbridge a instalação de uma célula do grupo no Brasil. A organização é formada por investidores trumpistas e foi fundada por J.D. Vance.

Marinho também aproximou da Rockbridge o empresário Pedro Sang. Renan Santos, do Missão, acusa a campanha de Flávio de ter recebido recursos americanos por meio da rede. Não foram apresentadas provas sobre a acusação. A legislação eleitoral proíbe doações diretas ou indiretas de entidades ou governos estrangeiros a partidos e candidatos.

O documento foi produzido cerca de duas semanas antes de Marinho viajar aos Estados Unidos para se reunir com J.D. Vance. O encontro foi articulado por Robert Kennedy Jr., pai de Conor Kennedy, casado com Giulia Be, irmã de Marinho. Em 26 de maio, Flávio Bolsonaro se reuniu com Donald Trump, em Washington. No dia seguinte, encontrou-se com Vance e com o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Flávio também discursou em 28 de março na CPAC, em Dallas, no Texas. Na ocasião, afirmou que o Brasil seria a solução dos Estados Unidos para reduzir a dependência da China em relação a minerais críticos, especialmente terras raras.

Negativas de Marinho e da campanha

Marinho declarou que o estudo foi uma iniciativa pessoal, permaneceu armazenado em seu dispositivo e não foi apresentado a autoridades americanas. Ele também negou que a viagem aos Estados Unidos tivesse relação com o conteúdo e afirmou que não recebeu pedidos, orientações ou iniciativas da campanha de Flávio Bolsonaro.

A campanha de Flávio não informou se encomendou o documento, se concorda com as propostas ou se esperava que a apresentação fosse levada aos Estados Unidos. Também não respondeu sobre eventual recebimento de recursos de empresas americanas ligadas à Rockbridge. O contato foi enviado na tarde de 12 de junho, e não houve resposta.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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