Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Sul

Projeto em Salvador limita uso autônomo de IA por alunos de até 13 anos

Proposta prevê restrições na rede pública municipal, mas permite atividades orientadas por educadores e uso docente no planejamento.

Projeto em Salvador limita uso autônomo de IA por alunos de até 13 anos

Um projeto de lei em tramitação na Câmara Municipal de Salvador (CMS) pretende regulamentar e limitar o uso autônomo de inteligência artificial generativa por estudantes de até 13 anos da rede pública municipal de ensino. A proposta foi protocolada no dia 3 de setembro e ainda será analisada pelas comissões temáticas antes de seguir para votação em plenário.

O texto proíbe que alunos dessa faixa etária usem, de forma autônoma, ferramentas de IA generativa em atividades, trabalhos, tarefas, avaliações, produção de conteúdos escolares e outras ações pedagógicas. Também fica prevista a restrição a sistemas desenvolvidos para simular relações de companhia, oferecer conselhos emocionais ou prestar apoio psicológico. A exceção envolve tecnologias oficiais adotadas pelo Poder Público para acessibilidade ou fins educacionais.

Uso supervisionado

A autoria é do vereador André Fraga (PV). A proposta permite o uso da inteligência artificial em atividades previamente planejadas, orientadas e supervisionadas por profissionais da educação. Entre os objetivos estão a educação digital e midiática, o conhecimento sobre o funcionamento da tecnologia e a compreensão crítica de seus riscos e potencialidades.

Os educadores também poderão utilizar a IA como recurso auxiliar no planejamento, na preparação de materiais e no desenvolvimento de atividades pedagógicas. O projeto estabelece ainda que as ações devem considerar a proteção integral de crianças e adolescentes, a autonomia intelectual, a criatividade, a capacidade de leitura, escrita e raciocínio, além da supervisão humana e da adequação à faixa etária.

A proteção de dados pessoais e da privacidade, o pensamento crítico sobre as informações produzidas pelos sistemas e a conscientização a respeito dos impactos sociais, éticos e ambientais da tecnologia também aparecem entre as prioridades.

Na justificativa, André Fraga afirmou que a proposta não pretende retirar a inteligência artificial do processo educacional. “Ao contrário, preserva expressamente seu uso em atividades pedagógicas orientadas e supervisionadas por profissionais da educação”, disse.

O Poder Executivo poderá criar ações de orientação e educação digital para estudantes, educadores e responsáveis, além de regulamentar a lei sem criar novos órgãos, cargos ou estruturas administrativas. Se for aprovada, a proposta seguirá para sanção do prefeito.

Uso entre estudantes brasileiros

Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025, divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostram que 48% dos estudantes brasileiros de 15 anos usam chatbots de IA ao menos uma vez por semana para aprender. A média da OCDE é de 46%.

Na pesquisa sobre temas novos, 40% dos estudantes brasileiros recorrem à IA, contra 31% na média da organização. Para resumir textos escolares, os índices são de 31% no Brasil e 30% na OCDE. Já para redigir uma redação inteira, a proporção brasileira é de 27%, diante de 29% entre os países da organização. Outros 11% afirmam nunca usar a tecnologia em tarefas escolares, enquanto a média da OCDE é de 14%.

A inteligência artificial generativa é voltada à criação de textos, áudios, imagens, vídeos e códigos de software. Entre as ferramentas conhecidas estão ChatGPT, Copilot, LLaMA e Gemini. Esses sistemas podem produzir respostas com erros factuais convincentes, chamados de “alucinações”.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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