SALVADOR — Uma mulher de 60 anos foi presa no sábado, 19, no Aeroporto Internacional de Salvador, durante uma investigação sobre fraudes no Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). Ela foi localizada dentro de uma aeronave que retornava da Espanha e é a quinta pessoa presa na Operação Valor Venal.
A investigada é uma das duas consultoras apontadas pela Polícia Civil como integrantes da estrutura responsável por articular o esquema. Conforme as investigações, ela mantinha contato direto com proprietários de imóveis e participava da formalização de contratos para a revisão do IPTU. Também é indicada como uma das líderes do grupo.
A prisão aconteceu dois dias depois da deflagração da operação, realizada na quinta-feira, 17, em Salvador. Na primeira fase, foram presos dois despachantes, uma consultora e uma ex-servidora com vínculo terceirizado. Esta última é apontada como responsável por alterar o cadastro imobiliário da Secretaria Municipal da Fazenda de Salvador (Sefaz).
Além das prisões, quatro servidoras da Secretaria Municipal foram afastadas por determinação judicial.
Como funcionava o esquema
Segundo a investigação, os despachantes buscavam proprietários de imóveis e terrenos de alto padrão interessados em reduzir o IPTU. Depois da contratação, os clientes eram encaminhados às consultoras, que negociavam os serviços e registravam os contratos.
As duas consultoras são apontadas por concentrar parte relevante dos contatos com os proprietários e por coordenar as operações que levavam à mudança dos dados dos imóveis. As apurações também indicam que elas recebiam a maior parte dos valores pagos pelos clientes.
O grupo alterava informações cadastrais no sistema da Sefaz, incluindo o ano de construção e outros dados usados no cálculo do valor venal. Com isso, o valor atribuído às propriedades era reduzido, assim como o IPTU devido.
Entre dezembro de 2024 e janeiro de 2026, cerca de 700 imóveis foram beneficiados, com reduções de até 90% no valor venal. A investigação identificou ainda ocultação patrimonial superior a R$ 1,2 bilhão, considerando a diferença entre os valores reais e os registros feitos após as alterações. O município deixou de arrecadar aproximadamente R$ 20 milhões, conforme as investigações.








