Candidatos ao governo do Distrito Federal protocolaram nesta terça-feira (8) um pedido para que o Ministério Público investigue repasses de R$ 1,4 milhão feitos pela Real JG Facilities a uma empresa ligada ao marido e à filha de Celina Leão (PP), atual governadora do DF. O grupo também solicitou a atuação do Ministério Público Eleitoral.
A empresa citada é a Faceng Engenharia. Conforme os documentos apresentados, os pagamentos teriam sido realizados entre maio de 2025 e junho de 2026, em 14 notas fiscais de R$ 100 mil. Todas registram a descrição “SERVIÇOS DE ENGENHARIA CIVIL”, sem outros detalhes sobre os serviços.
A Real JG Facilities mantém contratos com o governo do Distrito Federal. Em agosto de 2024, a empresa firmou um contrato de R$ 2,23 milhões com o gabinete de Celina Leão, quando ela ainda era vice-governadora. Nove meses depois, começaram os repasses mensais à Faceng Engenharia, conforme a representação entregue ao MP.
Dados dos contratos
Informações do Portal da Transparência indicam que, entre 2013 e 2026, a Real JG Facilities recebeu cerca de R$ 2 bilhões do Governo do Distrito Federal. Em 2025, enquanto fazia os pagamentos mensais de R$ 100 mil à empresa ligada à família de Celina, a companhia assinou cerca de R$ 427,1 milhões em novos contratos com o GDF. Em junho de 2026, foram firmados mais R$ 14,58 milhões.
José Roberto Arruda, Kiko Caputo, Leandro Grass, Paula Belmonte, Ricardo Cappelli, Elisson Ferreira e Rico Pinheiro participaram da entrega do pedido. Eles pedem a abertura de inquérito civil público ou de procedimento investigatório criminal.
Celina Leão afirmou, durante uma agenda de campanha, que está tranquila. “Eu tô muito tranquila”, disse a governadora, ao negar a existência de ilegalidade e criticar ataques à família.
Arruda afirmou que os candidatos deixaram de lado diferenças ideológicas para cobrar transparência do governo. Também pediu que o Ministério Público Eleitoral avalie um possível uso de dinheiro público na campanha fora do fundo eleitoral.
Kiko Caputo questionou o contrato e mencionou o valor de R$ 1,4 milhão. Paula Belmonte disse que o Distrito Federal tem o direito de saber por que uma empresa contratada pelo governo transferiu recursos para um negócio ligado à família da governadora. Leandro Grass defendeu a separação entre os interesses familiares e os da população.
Ricardo Cappelli, Elisson Ferreira e Rico Pinheiro também pediram investigação. Cappelli afirmou que recursos do Distrito Federal estariam sendo desviados, enquanto Ferreira classificou a iniciativa como suprapartidária. Rico disse que sua campanha é baseada em respeito e honra.








