Joinville, Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Sul

André Curvello aponta ética e checagem como desafios da comunicação acelerada

Diretor de Comunicação da CNI avalia mudanças provocadas pelas redes sociais, pela inteligência artificial e pela velocidade da informação.

André Curvello aponta ética e checagem como desafios da comunicação acelerada
Foto: Divulgação

André Nascimento Curvello completou 40 anos de atuação na comunicação acompanhando mudanças que alteraram a produção, a distribuição e o consumo de informação. Diretor de Comunicação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), ele começou a carreira na TV Educativa da Bahia, em 1986, e passou por jornal, rádio, televisão, comunicação pública, comunicação corporativa e marketing político.

Para Curvello, a velocidade é um dos principais desafios atuais. A informação, que antes levava dias para circular pelo país, passou a se espalhar em minutos e, depois, em segundos. Ele compara os diferentes períodos da comunicação: no jornal, uma notícia podia levar sete dias para cruzar o país; na internet, sete minutos para viralizar; no TikTok, sete segundos para alcançar 1 milhão de pessoas.

Credibilidade e assessoria de imprensa

Ao deixar a redação e atuar na assessoria de imprensa, Curvello passou a trabalhar nos dois lados da relação entre jornalistas e fontes. Ele afirma que o setor se profissionalizou e se tornou um grande empregador, mas ressalta que interesses diferentes precisam ser conduzidos com respeito e ética.

Na avaliação do jornalista, o repórter trabalha com a notícia e o factual, enquanto o assessor funciona como uma ponte entre a imprensa e o cliente. Para superar a desconfiança em relação às informações das assessorias, ele defende compromisso com a correção, transparência e construção de credibilidade ao longo do tempo.

Curvello também relata as dificuldades da transição de empregado para empresário. Entre os desafios, cita contratação de pessoas, impostos e questões trabalhistas e tributárias. Para quem pretende empreender, recomenda capacitação e afirma que o trabalho precisa ser acompanhado de disposição e identificação com a atividade.

Fake news, crises e inteligência artificial

O crescimento das mídias sociais mudou a maneira como a sociedade recebe notícias. Curvello considera que as fake news prejudicaram o combate à pandemia, período em que ocupava o cargo de secretário de Comunicação do governo da Bahia. Segundo ele, governos e órgãos públicos precisaram informar a população e desmentir conteúdos falsos que se espalhavam rapidamente.

Ele avalia que é difícil proteger completamente a reputação de pessoas, empresas e instituições em um ambiente marcado pela velocidade. Ainda assim, considera que um histórico consistente pode ajudar uma organização a enfrentar uma crise, porque o renome construído anteriormente contribui para amenizar seus efeitos.

Sobre a inteligência artificial, Curvello diz que a tecnologia deve ser usada com responsabilidade. A produção ficou mais rápida, mas a verificação também passou a exigir atenção maior. Para ele, a IA pode apoiar os processos de comunicação, mas não substitui julgamento, responsabilidade e checagem.

Na gestão de crises, o jornalista defende monitoramento permanente, verificação rápida, definição dos fatos e comunicação transparente. Ele ressalta que velocidade não deve ser confundida com precipitação e que, em determinadas situações, uma resposta mais rápida é necessária; em outras, pode ser melhor aguardar.

Comunicação pública e corporativa

Curvello diferencia os objetivos da comunicação pública e da comunicação corporativa. No governo, a prioridade é o interesse público, a prestação de contas e a participação do cidadão. No setor privado, o foco está na representatividade institucional e na defesa de pautas estratégicas.

À frente da comunicação da CNI, ele aponta como principal desafio mostrar a importância da indústria brasileira para o desenvolvimento econômico e social. Entre os temas associados ao setor, cita inovação, sustentabilidade, formação de trabalhadores qualificados, criação de empregos e geração de renda. Também menciona a campanha “A indústria é mais Brasil”.

Nas campanhas eleitorais, Curvello observa que as redes digitais permitem segmentar a comunicação por públicos específicos, incluindo faixa de renda e faixa etária. Para ele, televisão, rádio, sites e redes têm linguagens próprias, e o desafio é combinar uma comunicação geral com mensagens direcionadas.

O jornalista ocupou por dez anos a Secretaria de Comunicação do governo da Bahia e afirma que a comunicação pública exige atenção permanente às mudanças de humor e comportamento da sociedade. Ele considera as pesquisas uma ferramenta para avaliar a percepção sobre o governo e orientar estratégias. Também destaca a vulnerabilidade dos serviços públicos a crises originadas por insatisfação com atendimentos de água, transporte e saúde.

Influência familiar e responsabilidade

Curvello reuniu no livro “Entre uma palavra e outra, opiniões que ninguém pediu” textos produzidos em diferentes momentos da carreira. A obra inclui artigos do final da década de 80, dos anos 90 e do ano de 2000, além de reflexões sobre sua atuação em órgãos públicos.

A relação familiar com o jornalismo também aparece na trajetória. Seu avô, Edgard Curvello, foi jornalista do Imparcial, na Bahia, e seu pai, José Curvello, trabalhou no jornal A TARDE durante quase 30 anos. André afirma que essa convivência contribuiu para sua formação e para a compreensão da responsabilidade social da profissão.

Graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), Curvello também foi secretário de Comunicação Social do governo da Bahia, da prefeitura de Salvador e da prefeitura de Feira de Santana. Atuou ainda no Jornal A TARDE, na TV Educativa da Bahia, no Sistema Globo de Rádio e no Correio. Para ele, informar com responsabilidade é uma forma de respeitar a sociedade, independentemente do lado ocupado na comunicação.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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