Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Sul

Delegado alerta para deepfakes usados em fraudes com biometria

Felipe Dias orienta a não fornecer dados pessoais ou imagens e recomenda o Pix em transações para facilitar eventual recuperação de valores.

Delegado alerta para deepfakes usados em fraudes com biometria

O avanço da inteligência artificial criou novas formas de fraude envolvendo biometria e reconhecimento facial. Segundo o delegado Felipe Dias, titular da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (CRCC), criminosos passaram a usar imagens de vítimas para tentar burlar mecanismos de segurança adotados por bancos e empresas.

Durante anos, senhas, códigos enviados por SMS e biometria digital foram incorporados à autenticação de contas. Mais recentemente, o reconhecimento facial passou a ser utilizado também como chave de acesso em diferentes transações. Para enfrentar as tentativas de fraude, instituições deixaram de aceitar fotografias comuns e passaram a exigir vídeos feitos no momento do atendimento, com a câmera frontal do telefone.

Ainda assim, os criminosos conseguem criar vídeos da vítima no computador e posicionar a câmera do celular diante da tela. Dias afirma que a etapa atual envolve os chamados deepfakes, mídias criadas com inteligência artificial para alterar ou gerar rostos, vozes e vídeos. Com uma imagem frontal, os golpistas podem simular movimentos como virar o rosto ou olhar para diferentes direções.

Golpes preparados em etapas

O delegado explica que as fraudes geralmente não ocorrem de maneira isolada. Um exemplo é o golpe do falso gerente, em que o criminoso liga para a vítima alegando uma transação suspeita e solicita prova de vida ou atualização cadastral. A pessoa pode ser induzida a clicar em um link, espelhar a tela do telefone ou transmitir a própria imagem durante uma chamada de vídeo.

Para Dias, existe uma disputa constante entre os investimentos das instituições financeiras em segurança e a adaptação dos criminosos. A maioria dos registros recebidos pela unidade policial está relacionada a abordagens realizadas por meios digitais, embora também existam ações presenciais.

Orientações para evitar prejuízos

A recomendação é não fornecer dados pessoais, seja presencialmente ou pela internet. O delegado ressalta que a imagem também é um dado pessoal e afirma que nenhum comércio eletrônico pede que o cliente tire uma foto de si mesmo. O cuidado, segundo ele, pode evitar o uso dessas informações na criação de contas ou de uma pessoa jurídica (CNPJ).

Em pagamentos, Dias recomenda priorizar o Pix e evitar TED, DOC ou boleto. O motivo é que o Banco Central possui o MED (Mecanismo Especial de Devolução), ferramenta de bloqueio e estorno restrita a transações feitas por Pix. Em operações realizadas por outros meios, a restituição dependerá da instituição financeira.

Caso o banco não faça o estorno, o consumidor poderá buscar a Justiça se for constatada falha nos mecanismos de segurança da instituição. A investigação policial também pode ajudar, mas a recuperação dos valores pode levar meses ou anos.

O registro do boletim de ocorrência é considerado importante mesmo em casos de menor valor. A ocorrência pode reunir telefones, nomes, e-mails e chaves Pix usados pelos criminosos, contribuindo para a identificação de outros registros relacionados aos mesmos dados.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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