SALVADOR — A Avenida Tancredo Neves concentra cerca de 30% da frota de carros que circula diariamente por Salvador e enfrenta retenções de intensidade variável ao longo do dia. A via conecta as avenidas Paralela, ACM e Magalhães Neto e reúne empreendimentos comerciais e empresariais, além de receber o fluxo de quem trabalha ou passa pela região.
Os congestionamentos também são afetados por chuva e acidentes. Dados do Detran apontam que Salvador tem mais de 1,2 milhão de veículos, dos quais 93% são de uso particular.
Acessos e entrelaçamentos de fluxo
A Transalvador, responsável pelo ordenamento do trânsito na cidade, identifica como pontos de atenção os acessos e entrelaçamentos próximos ao Salvador Shopping, as conexões com a Paralela e o trecho de ligação com a Avenida Magalhães Neto.
Na rua Marcos Freire, que liga a Tancredo Neves à Paralela, diferentes movimentos de veículos se encontram. A Transalvador monitora o local e estuda alternativas para reorganizar o tráfego, incluindo a possibilidade de uma intervenção em desnível.
O órgão afirma que “a configuração existente produz conflitos entre os fluxos”.
A intervenção estrutural mais recente na região foi o Viaduto José Linhares, que criou uma ligação direta entre a área em frente ao Shopping da Bahia, na ACM, e o Acesso Norte, facilitando a chegada à BR-324. Inaugurada em janeiro passado, a estrutura aumentou, segundo a Transalvador, a velocidade média em cinco pontos no entorno.
O viaduto integra o projeto Nova Tancredo Neves, que também prevê o Complexo Viário Tatti Moreno, a duplicação da ponte sobre o Rio Camarajipe, o pontilhão da Rua Marcos Freire e o Viaduto Duda Mendonça.
A Transalvador afirma que um estudo de impacto indicou melhora de 14% no índice de fluidez das vias influenciadas pelas intervenções entre 2023 e 2025, além de redução de 16% no tempo de viagem.
Críticas às estruturas e alternativas
A arquiteta e urbanista Isadora Schefler reconhece que algumas intervenções, como o mergulhão entre a Tancredo Neves e a Magalhães Neto, retiram carros da avenida. Ela, porém, questiona o uso de viadutos e grandes estruturas como principal resposta para os congestionamentos.
“Os viadutos criam barreiras físicas e visuais e impactam negativamente a cidade, produzindo ilhas de calor pela utilização do excesso de concreto”, afirma Isadora, professora dos cursos de Arquitetura e Urbanismo e Engenharia Civil do Senai-Cimatec.
Para a urbanista, é necessário investir no transporte público e melhorar as conexões entre ônibus, metrô e BRT, além de tornar mais segura a circulação de pedestres e ciclistas.
A motociclista Vitória Santana, que trabalha como motorista por aplicativo há três meses, relata que a lentidão costuma ser maior entre 8h e 9h, 13h e 14h e de 17h às 20h. O entorno do Shopping da Bahia, segundo ela, concentra clientes, mas apresenta dificuldade de circulação.
Moradores relatam dificuldades
Raquel Rocha, professora da Faculdade de Nutrição da Ufba e moradora do Loteamento Alphaville I, na Paralela, afirma que enfrenta congestionamentos no deslocamento até o trabalho, no Canela, e ao levar os filhos ao colégio, no Caminho das Árvores. Ela também aponta dificuldades para acessar pistas e cruzamentos a partir do Shopping da Bahia em direção à Tancredo Neves e à Paralela.
O gestor de condomínio Eduardo Machado, morador do Stiep, considera mais problemático o retorno do viaduto que dá acesso ao Salvador Shopping. Segundo ele, há conflito entre os carros que entram no shopping, seguem para a Tancredo Neves ou vão para o Caminho das Árvores. O gargalo, de acordo com Eduardo, se agrava entre as 17h e 19h.
Ele também afirma que o retorno destinado aos ônibus do BRT na ligação Iguatemi-Paralela prejudica o trânsito e defende mais orientação aos usuários. Para Eduardo, os empresários também deveriam participar da solução, já que novos prédios comerciais atraem pessoas e veículos, enquanto os estacionamentos não aumentam na mesma proporção.








