SÃO PAULO — Os 20 maiores clubes brasileiros em receita faturaram R$ 15 bilhões no último ano, alta de 36% em relação ao período anterior. O endividamento dessas equipes, porém, chegou a R$ 16 bilhões, o maior nível já registrado, segundo levantamento da Sports Value, consultoria de negócios esportivos.
Nesse cenário, a reforma tributária passou a ocupar espaço nas decisões de presidentes, investidores e executivos. A avaliação é de que as novas regras podem influenciar a capacidade dos clubes de transformar receitas em resultado financeiro.
Receitas e contratos sob análise
Ulisses Brondi, CEO da ASIS Tax Tech, afirma que a mudança pode alcançar fontes como negociação de atletas, patrocínios, direitos de transmissão, produtos oficiais e exploração comercial das arenas. “O futebol brasileiro nunca gerou tanta receita, mas continua convivendo com um elevado nível de endividamento”, disse.
Em 2025, as transferências de jogadores movimentaram mais de R$ 4 bilhões entre os 20 maiores clubes brasileiros. Os direitos de transmissão somaram R$ 4,8 bilhões, enquanto as receitas de marketing chegaram a R$ 3,2 bilhões.
Por causa dessa diversidade, a análise deve considerar cada receita e cada contrato separadamente. Patrocínios, licenciamento, transmissão, exploração comercial e negociação de atletas têm características distintas e podem receber tratamentos tributários diferentes.
A discussão também envolve entidades esportivas que continuam organizadas como associações sem fins lucrativos. Nesses casos, as particularidades jurídicas e tributárias de cada organização precisam ser levadas em conta.
Impacto sobre as SAFs
A expansão das Sociedades Anônimas do Futebol aproximou clubes, fundos, grupos econômicos e investidores de temas como governança, retorno sobre o capital, geração de caixa e valuation. Coritiba, Botafogo, Cruzeiro, Vasco, Bahia e Fortaleza adotaram o modelo para atrair capital privado e reorganizar as finanças.
As SAFs têm regras específicas e precisarão ser compatibilizadas com o novo sistema de tributação sobre o consumo. A transição ocorre gradualmente e pode afetar a tributação de receitas, contratos e investimentos, além do planejamento financeiro e da atratividade do modelo para novos investidores.
Na 20ª edição do Fórum de Gestão Fiscal da Confeb Live University, realizada em São Paulo nos dias 3 e 4 de agosto de 2026, representantes do Internacional participaram do debate sobre os impactos da reforma e os desafios de adaptação das estruturas dos clubes.
Para Brondi, os clubes devem avaliar os efeitos das novas regras antes do fim da transição. Contratos fechados por vários anos e decisões tomadas no presente podem produzir impactos financeiros quando o novo sistema estiver mais avançado.








