O Fluminense avançou nas negociações para criar uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) depois que os investidores aceitaram elevar a proposta apresentada inicialmente. O novo desenho prevê entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões em dinheiro novo, além de alterações na estrutura financeira da operação.
O valor total envolvido pode superar R$ 8 bilhões ao longo de dez anos. Mais de 90% desse montante, porém, não seria composto por recursos novos. A negociação é conduzida pelo presidente Mattheus Montenegro, que discute o projeto há quase um ano com Carlos de Barros, da Lazuli Partners e da LZ Sports.
A intenção é ajustar a proposta antes de uma eventual análise pelo Conselho Deliberativo. O projeto pode ser apresentado formalmente até o fim deste ano. Apesar da revisão dos valores, a estrutura da SAF deve ser mantida no formato apresentado inicialmente no Salão Nobre das Laranjeiras.
Participação nas vendas de jogadores
Uma das mudanças em discussão envolve o percentual das receitas obtidas pelo Fluminense com a venda de jogadores destinado aos investidores. A estimativa é de que essa participação aumente entre 15% e 25%.
Na proposta anterior, os investidores receberiam 65% do futebol do Fluminense, com aporte de R$ 500 milhões dividido em duas parcelas. O modelo também previa que a SAF assumisse as dívidas do clube, sem determinar necessariamente a quitação imediata dos débitos.
O plano inicial ainda contemplava investimentos de até R$ 6,9 bilhões no futebol durante dez anos. Desse total, R$ 6,4 bilhões seriam recursos que já circulam no próprio Fluminense, e não novos aportes.
Definições pendentes
As conversas atuais estão concentradas na valorização do aporte inicial e da quantia mínima a ser efetivamente investida no futebol durante os dez anos. Mattheus Montenegro demonstra confiança na aprovação do novo desenho, mas o ambiente interno continua marcado pela cautela.
Entre os investidores, há incômodo com a falta de informações sobre o andamento das negociações. Outro ponto sem definição é o comando da futura SAF. Mário Bittencourt não é unanimidade entre os investidores para ocupar o cargo de CEO, e existe a avaliação de que sua autonomia poderia ser limitada.
Até o momento, cerca de 40 investidores ainda não receberam um pedido formal para assinar compromissos financeiros. O projeto permanece sustentado principalmente pela confiança nas famílias envolvidas na negociação e no BTG, apontado como parceiro principal da operação.








