O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) determinou que a Meta preserve dados relacionados ao perfil pessoal do governador licenciado Jorginho Mello. A decisão atende a um pedido da Coligação Santa Catarina com Lula e Contra o Extremismo, formada por PDT, PSB, Federação Brasil da Esperança e Federação PSOL Rede.
A medida foi tomada em uma Ação de Produção Antecipada de Provas, sob relatoria do desembargador eleitoral Márcio Schiefler Fontes. O tribunal não autorizou, neste momento, buscas amplas nem a apresentação imediata dos dados. A ordem determina a preservação de logs de acesso, registros financeiros e informações sobre impulsionamentos feitos na conta pessoal do governador ao longo deste ano.
Suspeita de uso da estrutura pública
A coligação sustenta que Jorginho Mello pode ter utilizado recursos, servidores e infraestrutura do governo estadual para administrar e promover perfis pessoais, com impacto no projeto de reeleição em 2026. A suspeita envolve a atuação de funcionários comissionados da Secretaria de Comunicação na gestão da conta e no impulsionamento de conteúdos associados ao governador.
Dados do portal da transparência indicam que pelo menos três profissionais ligados direta ou indiretamente ao Governo de Santa Catarina mantêm relação com as contas pessoais e com o site particular de Jorginho Mello. Entre eles está Eduardo Cordini Valente, lotado na Secretaria de Comunicação desde janeiro de 2023, com salário de R$ 18.517,10. Ele aparece como responsável pelo registro do domínio do site oficial do governador e também possui registros de atividades como fotógrafo do PL.
Valente recebeu R$ 9 mil do fundo partidário do PL em 2025. Em 2024, obteve o mesmo valor.
Outro nome citado é Jacqueline Junges Nunes da Silva, servidora comissionada e conselheira na Secretaria de Infraestrutura. O telefone associado aos anúncios mais recentes de impulsionamento da campanha de Jorginho Mello aparece vinculado a ela. A remuneração informada é de R$ 4.236, e desde novembro de 2024 a servidora recebe Jeton por participação em reuniões de conselhos e órgãos deliberativos.
Atos publicados em setembro de 2024 e outubro de 2025 qualificam Jacqueline para integrar a Junta Administrativa de Recursos de Infrações da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade de Santa Catarina, com “notório conhecimento em trânsito”. Em 2025, ela recebeu R$ 104.392,43 do fundo partidário do PL em Santa Catarina. No ano anterior, recebeu pouco mais de R$ 87 mil.
Diferença entre contas pessoais e oficiais
As postagens impulsionadas no perfil pessoal de Jorginho Mello são diferentes das publicações da conta oficial do Governo de Santa Catarina. O perfil nominal do governador tem cerca de 200 mil seguidores a mais e utiliza contato telefônico e estrutura distintos dos empregados pelo canal institucional, que usa e-mail com domínio gov.br.
A decisão do TRE-SC esclarece que a ação tem caráter autônomo e busca permitir o conhecimento prévio dos fatos. O relator afirmou que o procedimento não representa análise aprofundada do mérito nem declaração sobre a ocorrência de irregularidade.
A coligação pretende usar os dados preservados para avaliar eventual utilização da máquina pública na promoção dos perfis pessoais do governador. Em 2025, o Superior Tribunal de Justiça analisou caso envolvendo o ex-governador de São Paulo João Doria e o possível uso de publicidade oficial para autopromoção em redes sociais.







