GOIÂNIA — A instalação do Terminal Isidória, em 1976, consolidou no transporte coletivo de Goiânia uma homenagem que já existia desde 1972. O nome havia sido atribuído oficialmente à praça central do Setor Pedro Ludovico, localizada entre as avenidas 1ª, 2ª, 3ª e 4ª Radial.
Um estudo acadêmico publicado em 2023 aponta que o terminal teve papel determinante no desenvolvimento do bairro. A estrutura acompanhou a transformação do Setor Pedro Ludovico em um vetor de crescimento da capital em direção ao sul e ao sudoeste, além de reforçar a importância da praça, que já concentrava comércio local.
A mulher homenageada
Isidória de Almeida Barbosa nasceu em Barreirinhas, na Bahia. Era filha de Faustino Rodrigues e Maria Alves de Almeida. Em 27 de novembro de 1926, casou-se com João Pereira Barbosa e passou a usar o sobrenome do marido.
O casal se estabeleceu na área que mais tarde se transformaria no Setor Pedro Ludovico. Isidória participou da atividade comercial da família e trabalhou no atendimento do estabelecimento mantido pelos dois. Ela viveu durante anos na região e morreu em 6 de janeiro de 1966.
A homenagem foi formalizada pela Lei nº 4.559, de 20 de maio de 1972. A norma deu à praça o nome de “Praça Isidória de Almeida Barbosa”. A sanção foi feita pelo então prefeito Manoel dos Reis Silva, e a publicação apareceu no Diário Oficial do Município de 20 de junho daquele ano.
A legislação não registra os motivos da escolha nem apresenta informações sobre Isidória. O documento comprova, porém, que o nome já estava ligado ao endereço quatro anos antes da chegada do terminal. A primeira homenagem, portanto, foi à praça, e não a uma estação de ônibus.
Um bairro fora do plano inicial
O Setor Pedro Ludovico não fazia parte do planejamento original de Goiânia. Conforme pesquisa das arquitetas e urbanistas Thatiane Luiza de Castro e Silva e Sandra Catharinne Pantaleão Resende, a ocupação da área começou a partir dos anos 1940, com a chegada de migrantes e a presença de moradores em terrenos pertencentes ao Estado.
Parte da regularização fundiária ocorreu nos anos 1950 e 1960. A região era associada inicialmente à antiga Fazenda Macambira e começou como uma área periférica, com pouca infraestrutura. Com a expansão da capital, passou a exercer papel de centralidade na região Sul.
Em 1971, a praça já reunia comércio e serviços para os moradores. Áreas próximas ao Jardim Botânico, entre a Alameda Botafogo e a Praça Isidória, ainda apresentavam ocupação mais rarefeita, enquanto outras partes do bairro se adensavam perto das vias de maior circulação. A Avenida T-63 também se firmava como eixo de crescimento.
O terminal e a permanência do nome
O Terminal Isidória foi implantado como parte do Plano de Desenvolvimento Integrado do Transporte Coletivo, programa ligado ao Plano de Desenvolvimento Integrado de Goiânia, elaborado pelo arquiteto e urbanista Jorge Wilheim entre 1967 e 1969.
A pesquisa considera que a estrutura estimulou o desenvolvimento do bairro e ampliou sua conexão com outras áreas da cidade. Nos anos seguintes, investimentos em infraestrutura acompanharam o crescimento regional e favoreceram a verticalização de áreas próximas à Avenida T-63, como os setores Bela Vista e Nova Suíça.
Com o tempo, o terminal foi incorporado às mudanças do sistema de transporte coletivo e ao corredor do BRT Norte-Sul. A estrutura antiga foi substituída por uma maior e modernizada, mas o nome Isidória foi mantido. Assim, a denominação da praça passou a identificar também um equipamento usado diariamente por milhares de passageiros.








