RIO DE JANEIRO — A Procuradoria-Geral de Justiça do Rio de Janeiro determinou a reabertura da investigação contra o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) e outras 25 pessoas por suspeita de desvio de dinheiro público na Câmara Municipal do Rio. O caso envolve a possível utilização de funcionários fantasmas em um esquema conhecido como rachadinha.
A decisão foi tomada depois de a PGJ avaliar que a apuração anterior não cumpriu diligências consideradas essenciais. Em nota, o Ministério Público do Rio de Janeiro informou que considerou o arquivamento prematuro e encaminhou os autos à 4ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Rio de Janeiro para novas medidas, em 09/02.
Pontos que serão retomados
A investigação havia sido arquivada pelo MPRJ em setembro de 2024. Na ocasião, sete funcionários do gabinete foram denunciados por peculato. A denúncia apontou Jorge Luiz Fernandes, então chefe de gabinete, como responsável por comandar a organização entre 2005 e 2021. O valor arrecadado teria chegado a cerca de R$ 1,9 milhão, devolvido por funcionários nomeados no gabinete.
Jorge Luiz Fernandes continua trabalhando na Câmara Municipal, no gabinete da vereadora Alana Passos, que assumiu o cargo depois da renúncia de Carlos Bolsonaro. Ele não quis comentar a reabertura da investigação.
A nova análise deverá examinar, entre outros pontos, o pagamento do plano de saúde de Carlos Bolsonaro. Um relatório indicou que, em nove anos de contratação, somente um boleto teria sido pago pela conta bancária do ex-vereador. A PGJ recomendou que as operadoras informem os valores, a forma de pagamento e os responsáveis pelas quitações.
Também será aprofundada a compra de um apartamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio, em 2009. Carlos Bolsonaro declarou ter adquirido o imóvel por R$ 70 mil, quantia considerada abaixo do valor de mercado naquele período.
Outro foco são os acessos a um cofre em uma agência bancária. O parecer registra que o então vereador realizou pelo menos um acesso mensal ao local, circunstância que chamou a atenção da Procuradoria.
A lista de investigados inclui Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro e chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro entre 2001 e 2008. Relatórios de inteligência financeira apontaram depósitos em dinheiro vivo de até R$ 340 mil na conta dela.
Manifestações
No início de 2025, o juiz Thales Nogueira Cavalcanti Venâncio Braga discordou do arquivamento, apontou omissões e contradições e enviou o caso para análise da PGJ. O promotor Alexandre Murilo Graça havia sustentado que depoimentos, relatórios e laudos não demonstravam circulação de valores para as contas de Carlos Bolsonaro nem pagamentos feitos por ele.
A defesa de Carlos Bolsonaro ainda não havia se manifestado até a última atualização. Jorge Luiz Fernandes também optou por não comentar. Alana Passos declarou: “Sobre o senhor Jorge, até onde sei as investigações tinham sido arquivadas”.
A defesa de Ana Cristina Siqueira Valle contestou a decisão e afirmou que o procedimento teria nulidades e fatos prescritos. O MPRJ declarou que a PGJ determinou diligências complementares após análise da Assessoria Criminal e diante da inexistência de prerrogativa de foro relacionada ao cargo de vereador exercido à época.








