Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Mensagens ligam ex-assessora de Carlos Bolsonaro a investigados do gabinete

Luciana Almeida combinou encontro com familiares de um ex-assessor investigados por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Assessora de Carlos Bolsonaro marcou encontro com suspeitos de lavagem de dinheiro

Luciana Almeida, ex-assessora de Carlos Bolsonaro na Câmara de Vereadores do Rio, trocou mensagens com o coronel reformado Guilherme Hudson, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, para combinar um encontro em um escritório de advocacia. Hudson é pai de três ex-assessores de Carlos investigados por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A conversa ocorreu uma semana antes de Guilherme Hudson, Ananda Hudson e Monique Hudson prestarem depoimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro. Os três negaram ter recebido salários por anos sem trabalhar no gabinete de Carlos, embora as investigações apontassem que não exerciam as funções para as quais haviam sido nomeados.

Em 4 de novembro de 2019, Luciana enviou ao coronel o endereço de um escritório no Centro do Rio e escreveu “estaremos lá”. No dia seguinte, tentou telefonar para ele. Depois, Hudson encaminhou cópias das três requisições do MP-RJ para os depoimentos marcados para 11 de novembro de 2019.

O local indicado por Luciana era o escritório do advogado Jefferson Gomes, que defendia o filho do coronel e as duas noras. Gomes afirmou que recebeu os três clientes e prestou serviços durante a investigação, mas disse não poder fornecer mais informações por causa do sigilo entre advogado e cliente. Também negou ter se encontrado com Guilherme Hudson, pai, e afirmou desconhecer as mensagens.

Investigação sobre o gabinete

O MP-RJ abriu, em julho de 2019, uma investigação sobre Carlos Bolsonaro para apurar suspeitas de desvio de dinheiro público por meio da entrega ilegal de parte dos salários dos funcionários, prática conhecida como rachadinha.

Entre os nomes citados estavam Guilherme de Siqueira Hudson, Ananda Hudson e Monique Hudson. Guilherme foi chefe de gabinete de Carlos entre abril de 2008 e janeiro de 2018. Segundo os dados reunidos na investigação, ele não tinha crachá e morava em Resende desde 2012, onde mantinha um escritório de advocacia. No período, recebeu R$ 2,3 milhões em valores atualizados.

Ananda foi nomeada em 1º de março de 2009 e permaneceu no gabinete até agosto de 2010. Na mesma época, cursava Letras em Resende. Monique ficou lotada na Câmara Municipal até dezembro de 2014 e também estudava Letras na Associação Educacional Dom Bosco, em Resende.

O coronel Guilherme dos Santos Hudson também foi investigado em um inquérito sobre peculato e lavagem de dinheiro no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj. O caso foi arquivado depois que o Superior Tribunal de Justiça anulou as quebras de sigilo.

A investigação sobre Carlos permanece aberta e foi retomada em fevereiro deste ano, após quase dois anos sem andamento. Em agosto de 2024, o promotor Alexandre Murilo Graça denunciou o chefe de gabinete de Carlos e outros seis assessores; eles se tornaram réus em junho deste ano.

A apuração específica sobre os Hudson foi arquivada naquele procedimento. O caso envolvendo Carlos, porém, voltou a tramitar depois que o Tribunal de Justiça do Rio discordou do pedido inicial do MP para arquivamento. O processo permanece em sigilo.

Em julho deste ano, o Ministério Público pediu, em uma ação cível, que sete assessores de Carlos Bolsonaro devolvessem R$ 1,9 milhão aos cofres públicos. O valor seria relacionado a desvios no gabinete do ex-vereador.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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