SÃO PAULO — A produção de “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, foi alvo de denúncias trabalhistas durante as gravações em São Paulo. Um relatório do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (SATED/SP) reúne 15 ocorrências registradas por figurantes e técnicos envolvidos no filme.
Os relatos mencionam comida estragada, alimentação considerada insuficiente para jornadas superiores a 8 horas, atrasos nos pagamentos, cachês abaixo do padrão de mercado e contratação informal de figurantes por grupos de WhatsApp. Também foram citados pagamentos em dinheiro sem emissão de nota fiscal.
Denúncias durante as filmagens
Segundo o documento, figurantes recebiam um kit com pão com frios, maçã, paçoca e suco, enquanto a equipe principal tinha acesso a café da manhã e almoço em sistema self-service. O relatório registra ainda uma denúncia de fornecimento de comida estragada em 30 de outubro de 2025.
Trabalhadores afirmaram que alguns figurantes precisavam pagar R$ 10 pelo transporte até as locações, com cobrança em dinheiro ou desconto no cachê. Também foram relatados episódios de assédio moral, condições precárias e a suposta agressão física contra um figurante. De acordo com o sindicato, ele registrou boletim de ocorrência e informou que faria exame de corpo de delito.
As reclamações incluem revistas pessoais consideradas invasivas, com relatos de toques em partes íntimas e nos seios na entrada das locações. O SATED/SP também apontou possível contratação de equipe técnica estrangeira sem o recolhimento de taxas previstas na Lei nº 6.533/78.
O sindicato afirmou que não faz acusações diretas contra a produção e que os relatos devem ser apurados pelas autoridades competentes, com contraditório e ampla defesa.
Investimento contestado
As denúncias vieram à tona após a divulgação de mensagens e áudios sobre um suposto investimento de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no filme. Flávio Bolsonaro aparece nas conversas pedindo recursos e demonstrando preocupação com atrasos nos pagamentos.
Em um áudio, o senador afirmou: “Tá num momento muito decisivo aqui do filme”. Depois, disse que a equipe estava “no limite”. Flávio Bolsonaro declarou que o financiamento ocorreu com “dinheiro privado” e negou irregularidades.
A GOUP Entertainment afirmou que não há recursos de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas controladas por ele entre os financiadores de “Dark Horse”. A produtora também rejeitou associações entre o longa e fatos sem comprovação documental, financeira ou contratual.
Segundo a Ancine, o filme tem orçamento de R$ 28 milhões, dividido entre Brasil, França, Alemanha e Holanda. Dirigido por Cyrus Nowrasteh e escrito com Mark Nowrasteh, a partir de argumento de Mario Frias, o longa tem Jim Caviezel no papel principal e ainda reúne Esai Morales, Lynn Collins, Camille Guaty e Jeffrey Vincent Parise.







