Documentos e mensagens indicam que Daniel Vorcaro se comprometeu a repassar US$ 24 milhões para financiar Dark Horse, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. Pelo menos US$ 10,6 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, segundo os registros analisados.
A negociação foi conduzida diretamente pelo senador Flávio Bolsonaro, com participação de Eduardo Bolsonaro, Mario Frias, Thiago Miranda e Fabiano Zettel. Não há evidências, nas mensagens, de que os outros oito pagamentos previstos tenham sido realizados.
Pagamentos e intermediários
Um cronograma apontava que seis parcelas somariam US$ 10,6 milhões entre janeiro e maio de 2025. Em 14 de fevereiro de 2025, um comprovante registrou a transferência de US$ 2 milhões para o Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, e associado à produção do filme. A Entre Investimentos e Participações aparece como remetente da operação.
Documentos societários indicam que o fundo foi registrado no Texas e tinha como agente legal o escritório Law Offices of Paulo Calixto PLLC, de Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. Os registros também citam Altieris Santana como integrante do quadro societário do fundo e Paulo Calixto como membro e administrador de uma empresa relacionada.
As mensagens mencionam ainda a participação de Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Vorcaro. Em janeiro de 2025, ele informou que o financiamento seria dividido em dez parcelas de US$ 2,5 milhões. Uma tabela enviada em agosto indicou outro formato: 14 parcelas, sendo 12 de US$ 1,666 milhão e duas de US$ 2 milhões.
O Grupo Entre Investimentos e Participações negou vínculo societário, de controle ou de governança com Vorcaro e afirmou estar à disposição das autoridades. A defesa de Mario Frias confirmou contatos com o banqueiro, mas disse que as mensagens refletiam uma relação entre o idealizador do projeto e um possível apoiador privado. Também negou uso do mandato para lobby ou favorecimento empresarial.
Cobranças durante a produção
Em 8 de setembro, Flávio Bolsonaro enviou um áudio a Vorcaro cobrando pagamentos atrasados e mencionando a preocupação com profissionais internacionais envolvidos no filme. O senador afirmou que a falta de repasses poderia afetar contratos, elenco, direção e a equipe da produção. Vorcaro pediu desculpas e prometeu resolver a situação no dia seguinte.
Em 22 de outubro, Flávio informou que as filmagens estavam no terceiro dia e que a produção havia chegado ao limite. O senador disse que, caso o apoio não pudesse continuar, seria necessário buscar outro caminho. Vorcaro respondeu: “Deixa comigo”.
Em 7 de novembro, Flávio enviou a Vorcaro um vídeo de visualização única e escreveu: “Tudo isso só está sendo possível por causa de vc”. As mensagens registram que os dois também fizeram ligações e marcaram encontros presenciais.
Em 16 de novembro de 2025, Flávio enviou ao banqueiro uma mensagem na qual pediu ajuda. No dia seguinte, Vorcaro foi preso enquanto tentava deixar o país, sob acusação de operar um esquema de fraude que teria causado um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito. Em 18 de novembro, o Banco Central liquidou o Banco Master.
Respostas e situação do filme
Questionado sobre o financiamento, Flávio negou a informação e deixou uma entrevista próxima ao Supremo Tribunal Federal. A defesa de Vorcaro não respondeu. Eduardo Bolsonaro também não respondeu aos questionamentos.
O SBT afirmou que nunca teve contrato com o Banco Master. Segundo a emissora, o produto CredCesta realizou ações comerciais em programa do canal entre fevereiro e dezembro de 2024, dentro de uma relação de comercialização de espaços publicitários.
O filme tem Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro e direção de Cyrus Nowrasteh. A produção chegou a anunciar estreia para 11 de setembro de 2026, mas o site oficial não confirma a data de lançamento no Brasil.








