Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Filas do SUS em SC chegam a 10 anos para exames e passam de 100 mil cirurgias

Pacientes aguardam procedimentos e exames em Santa Catarina; Estado e municípios divergem sobre as previsões exibidas nos sistemas.

Pacientes ficam até 10 anos na fila por cirurgias e exames pelo SUS em SC

Cerca de 100 mil pacientes aguardam por cirurgias pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Santa Catarina. Em um dos casos, um paciente que precisa retirar uma hérnia ocupa o 51º lugar da fila e tem previsão de atendimento para mais de 300 dias.

A espera também atinge exames. Em Florianópolis, pacientes relatam prazos que chegam a 2032 e 2034 para tomografias, colonoscopias e ressonâncias. A prefeitura afirma que as datas exibidas no painel são estimativas e não representam necessariamente o atendimento efetivo.

Pacientes aguardam cirurgias e exames

Carlos Alberto, aposentado e transplantado renal, espera por uma cirurgia de hérnia. A dor limita sua locomoção, e ele costuma contar com a ajuda da filha para se deslocar. A informação sobre o transplante não aparecia no cadastro de regulação. Após o caso ser identificado, o governo de Santa Catarina pediu ao município responsável a atualização dos dados.

A Secretaria de Estado da Saúde informou que uma consulta para Carlos foi marcada para o dia 30 de outubro.

Lenir da Silva Martins, de 73 anos, aguarda uma colonoscopia em Florianópolis. Ela tem sangramentos frequentes, e o caso foi classificado como urgente pela regulação. Mesmo assim, a previsão registrada era março de 2026.

Também moradora da Capital, Luiza Morassuti espera por uma tomografia. O sistema da prefeitura indicava atendimento apenas para 2032. Ela teve complicações abdominais e afirmou que não sabe se estará viva até a data prevista.

Em Florianópolis, 8.029 pessoas aguardam uma colonoscopia. A fila da ressonância reúne 19.369 pacientes, enquanto 9.611 esperam por uma tomografia. De acordo com informações da prefeitura, a previsão para a última pessoa da fila da tomografia aparece somente em 2034.

Estado e municípios têm responsabilidades diferentes

O defensor público Tiago Queiroz da Costa afirmou que um diagnóstico pode mudar durante uma espera tão longa e que, em alguns casos, pacientes recorrem à Justiça para conseguir exames ou cirurgias.

Fabricio Menegon, professor do departamento de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explicou que o Estado administra a fila de cirurgias, enquanto os municípios respondem pela gestão dos exames. Para ele, o enfrentamento da demanda envolve investimentos em hospitais e contratação de serviços conveniados.

O secretário de Saúde de Florianópolis, Almir Adir Gentil, disse que os prazos apresentados são projeções calculadas por um algoritmo. Segundo ele, a ferramenta indica a dimensão das filas, mas não corresponde a uma data confirmada para o exame. Gentil também afirmou que a abertura do Multihospital da Capital pode contribuir para reduzir a espera e orientou os pacientes a procurar novamente o médico se os sintomas piorarem.

O secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi Silva, declarou que os dados podem refletir uma série histórica, e não a situação atual de cada paciente. Ele disse que Santa Catarina realizou 152 mil cirurgias em 2024.

Sobre os casos de exames, a prefeitura informou que os prazos do painel não incluem mutirões e outras ações destinadas a reduzir as filas. Depois de revisar as situações apresentadas, um dos atendimentos foi previsto para o próximo mês. No outro, não foi informado um novo prazo. A Secretaria afirmou ainda que as equipes mantêm contato com os pacientes e recomendou a atualização dos dados clínicos nos centros de saúde dos bairros.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.

Mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5