Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Faltas de Carlos Bolsonaro em agendas geram incômodo entre aliados em SC

Candidato ao Senado não participou de debates e sabatinas; aliados avaliam que a estratégia pode reforçar a imagem de distância do estado.

Carlos Bolsonaro falta a sabatina, e ausências começam a incomodar aliados

Carlos Bolsonaro (PL) faltou a uma sabatina na manhã de sexta-feira (11) e ainda não participou de debates, entrevistas ou outros encontros desse tipo durante a campanha ao Senado por Santa Catarina. As ausências passaram a incomodar aliados, que antes defendiam evitar a exposição do candidato.

A entrevista na Jovem Pan Floripa estava marcada desde julho, segundo o apresentador Emanuel Soares. A emissora só confirmou que Carlos não participaria quando o programa já estava no ar, às 11h. A assessoria do candidato afirmou que ele estaria em Brasília, mas negou que a presença na sabatina tivesse sido confirmada.

Carlos também não compareceu aos dois debates realizados até agora. O primeiro foi promovido pela rádio Som Maior, em Criciúma (SC), em 17 de agosto. O segundo ocorreu na rádio CBN, na sede da NSC em Florianópolis, em 23 de agosto. Ele recusou ainda convites para sabatinas da NDTV, afiliada da Record, em 18 de setembro, e do Portal Upiara, em 29 de setembro. Sobre os próximos debates, a assessoria informou que a participação está em “avaliação”.

Estratégia passou a ser questionada

Aliados dizem que a decisão de evitar os confrontos tinha como objetivo proteger Carlos de situações para as quais teria pouca experiência, além de perguntas sobre seu conhecimento de Santa Catarina. A expectativa era que ele aceitasse ao menos algumas entrevistas, como a da Jovem Pan, considerada próxima do grupo político. A falta nessa agenda, porém, foi vista como um erro.

A avaliação atual é que a estratégia deixou de ser eficiente e pode reforçar a percepção de que o candidato está distante do estado. Adversários passaram a explorar o tema. Jeferson Rocha (PRD), em sabatina na Jovem Pan na terça-feira (8), criticou a ausência de Carlos. Esperidião Amin (PP), que evita ataques diretos, tem defendido o voto de “catarinense em catarinense”. Há duas vagas em disputa este ano.

O incômodo entre aliados aumentou após o temporal que atingiu Santa Catarina em agosto. Carlos viajou a Brasília no fim de semana de 29 de agosto para visitar o pai, Jair Bolsonaro, e só voltou ao estado na segunda-feira, dia 31, mesmo com o agravamento dos impactos na Grande Florianópolis. Nesse período, publicou apenas uma mensagem no Instagram sobre os estragos.

Carlos tem cumprido agendas no estado ao lado de lideranças locais, mas, segundo aliados, suas falas são curtas e concentradas em temas nacionais, como a crise no Supremo Tribunal Federal, a prisão do pai e a candidatura de Flávio Bolsonaro. A avaliação é que a postura não reduz a imagem de “forasteiro” nem as críticas de que ele usa Santa Catarina como “trampolim”.

Em propaganda exibida na sexta-feira, Carlos disse que o principal objetivo é eleger Flávio presidente da República. As peças também abordam o papel do Senado na composição do Judiciário, mas ainda não apresentam propostas específicas para Santa Catarina. Na estreia do horário eleitoral, em 28 de agosto, o candidato havia sido criticado por não mencionar o estado.

Pesquisas e disputa interna

A pesquisa Quaest divulgada em 24 de agosto colocou Esperidião Amin na liderança, com 19%, seguido por Carlos, com 16%, e Carol de Toni, com 12%. No levantamento da AtlasIntel divulgado na quinta-feira (10), Carol apareceu com 28,4%, Amin registrou 20,2% e Carlos, 14,9%. Em março, o ex-vereador tinha 18,3% das intenções de voto.

A entrada de Carlos na disputa também provocou divisão na direita catarinense. O plano inicial do governador Jorginho Mello (PL) previa Carol e Amin na chapa ao Senado, mas a candidatura do ex-vereador contribuiu para a perda do apoio de Amin ao governador. A composição entre Carol e Carlos foi definida após uma reunião com Flávio Bolsonaro, Valdemar Costa Neto, Rogério Marinho (PL-RN), Jorginho Mello e o próprio candidato.

Parte dos candidatos do PL não aderiu à campanha de Carlos. Um dos casos citados é o da deputada estadual Ana Campagnolo, que teve um conflito público com Flávio Bolsonaro.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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