Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Falhas em lacres levam Polícia Científica a recusar perícia no caso Dark Horse

Embalagens de celulares, notebooks e pendrives permitiam a passagem de cabos ou a retirada dos dispositivos antes dos exames.

Suspeita de violação de lacres de equipamentos do caso Dark Horse expõe Tarcísio de Freitas e André Mendonça

A Polícia Científica de São Paulo recusou a perícia de celulares, notebooks e pendrives apreendidos na investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse. Os peritos identificaram falhas nos lacres e nas embalagens, que permitiam a passagem de cabos ou a retirada dos dispositivos, comprometendo a preservação do material.

O Instituto de Criminalística registrou que as embalagens tinham aberturas suficientes para a introdução de objetos ou vestígios. A falha foi encontrada em 13 embalagens com celulares e notebooks. Conforme a perita criminal Viviane Fleitas Menezes, havia espaço para a entrada de cabos de alimentação e transferência de dados, o que tornava possível a manipulação dos equipamentos antes da análise.

Nos pendrives, quatro embalagens também apresentavam abertura suficiente para a retirada dos dispositivos. Não há, até o momento, conclusão de que os aparelhos tenham sido efetivamente manipulados ou de que dados tenham sido apagados ou modificados. Também não foram identificados os responsáveis pela falha.

A operação policial ocorreu em 1º de junho, mas os equipamentos só chegaram ao Instituto de Criminalística em 3 de junho. Após constatarem os problemas, os peritos devolveram o material à Polícia Civil. Em 8 de junho, o escrivão Mauro Sergio Gagliotti determinou a substituição das embalagens e a colocação de novos lacres.

A medida foi registrada como necessária para preservar a integridade dos objetos e manter a cadeia de custódia antes de um novo encaminhamento à perícia. Esse procedimento documenta o caminho da evidência desde a apreensão até a análise e eventual utilização no processo. Em equipamentos eletrônicos, a preservação é relevante porque os dados podem ser alterados sem percepção imediata.

Os aparelhos integram a investigação sobre a movimentação de recursos envolvendo o Instituto Conhecer Brasil, o programa Wi-Fi Livre SP e empresas relacionadas à produção de Dark Horse. A Polícia Civil e a Polícia Federal examinam pagamentos milionários, subcontratações e transferências feitas pelo instituto para empresas ligadas ao filme.

Relação com o inquérito no STF

O caso também envolve um inquérito que tramitava no Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do ministro André Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação estava relacionada ao financiamento de Dark Horse e a pessoas ligadas à produtora Go Up Entertainment.

Em agosto, os advogados de Karina Ferreira da Gama, dona da produtora, pediram a Mendonça a suspensão da investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo e a transferência do caso para o STF. A defesa alegou que a apuração paulista invadia matéria já submetida à Corte.

Não há informação pública que atribua a Mendonça participação na apreensão, no acondicionamento ou no transporte dos aparelhos. A relação dele com o episódio está no destino judicial das provas. A Polícia Científica de São Paulo define sua atividade como a produção de prova técnica por meio da análise científica de vestígios ligados a delitos, incluindo dispositivos eletrônicos e materiais de informática e telemática.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.

Mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5