Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Especialista cobra ações de SC contra feminicídios e critica gestão de Jorginho Mello

Dados oficiais mostram que 68,9% das vítimas tinham histórico de violência antes do assassinato; estado registrou 38 feminicídios em 2026.

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Dados do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) mostram que 68,9% das vítimas de feminicídio analisadas já haviam enfrentado algum tipo de violência antes de serem assassinadas. O estado registrou 38 feminicídios entre janeiro e agosto de 2026, enquanto 22.619 medidas protetivas foram requeridas no mesmo período.

Uma integrante da promotoria de Justiça que atua na área, mantida em sigilo por precaução diante de possíveis represálias, avalia que os números revelam falhas na política estadual de proteção às mulheres. Para ela, a responsabilidade do governo Jorginho Mello precisa ser considerada na discussão sobre a permanência dos índices.

“Existem sinais antes da morte. Existem agressões anteriores, existem ameaças, existem mulheres procurando ajuda”, afirmou a especialista. Na avaliação dela, a rede pública ainda não oferece estrutura suficiente para acolher e proteger mulheres em situação de risco.

Risco maior à noite e nos fins de semana

O Mapa do Feminicídio aponta que 56,4% dos crimes acontecem durante a noite ou a madrugada. O intervalo entre a noite de sexta-feira e a madrugada de segunda-feira reúne 41,1% dos casos.

A Polícia Civil de Santa Catarina mantém atendimento virtual especializado em tempo integral, com registro de ocorrência e pedido de medida protetiva. A crítica da especialista está voltada à oferta presencial e contínua de atendimento especializado nesses períodos. A Assembleia Legislativa já discutiu propostas para ampliar o funcionamento 24 horas das delegacias especializadas.

Para a promotora, não é suficiente orientar a mulher a denunciar sem assegurar que exista uma estrutura preparada no momento em que ela buscar ajuda. Ela também defende a ampliação do monitoramento eletrônico em situações classificadas como de maior risco.

Em maio deste ano, dados da Polícia Penal indicavam que mais de 560 pessoas eram monitoradas por envolvimento em casos de violência doméstica e mais de 90 por violência sexual. Em sete meses de atuação integrada na Central de Emergências, foram registrados mais de 800 episódios em que violações envolvendo monitorados exigiram o acionamento da Polícia Militar.

Os números devem ser comparados com cautela: pedidos de medidas protetivas não correspondem necessariamente a agressores que precisam usar tornozeleira. Ainda assim, ajudam a dimensionar a demanda da rede estadual. O Plano Estadual de Combate à Violência contra as Mulheres 2025–2035 prevê recursos para o monitoramento eletrônico de agressores em casos com medidas protetivas.

Histórico deveria orientar a prevenção

Segundo o MPSC, 71% dos casos avaliados foram classificados como feminicídios íntimos, cometidos no contexto de relações afetivas. O histórico anterior de violência apareceu em 68,9% dos casos.

A promotora Chimelly Louise de Resenes Marcon, coordenadora-geral do Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas do MPSC, questionou onde estavam essas mulheres antes do assassinato e por que a trajetória de violência não foi identificada pelos serviços de proteção.

A especialista afirma que o Estado não consegue prever todos os crimes, mas deve investigar o que ocorreu entre a primeira agressão e a morte: se houve busca por ajuda, acolhimento, avaliação de risco e monitoramento do agressor.

Críticas após ocorrência em Jaraguá do Sul

A atuação pública de Jorginho Mello também foi questionada após o governador defender policiais militares envolvidos em uma abordagem em Jaraguá do Sul. A ocorrência terminou com Fernanda Klitzke, advogada e candidata a suplente ao Senado pelo PT, contida pelos agentes e ferida durante a ação.

Vídeos divulgados mostram que ela foi imobilizada, atingida por munições de impacto controlado e chutada. A Polícia Militar declarou que houve desacato e resistência e informou que a conduta dos agentes seria analisada pela Corregedoria-Geral. O caso também passou a ser acompanhado pela OAB e pelo TRE-SC.

Para a especialista, manifestações de autoridades em episódios desse tipo exigem cautela, especialmente diante dos índices de violência contra a mulher. Ela defende que o governo use sua posição para afirmar que esse tipo de violência não deve ser tolerado.

Santa Catarina registrou 52 feminicídios em 2025. Nos primeiros oito meses de 2026, foram 38 mulheres assassinadas por razões de gênero. Na avaliação da especialista, a responsabilização do autor do crime não encerra a discussão: o poder público também deve ser cobrado pela construção de uma rede capaz de interromper a violência antes do assassinato.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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