Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Censo 2022 mostra desigualdade no acesso a serviços para pessoas com deficiência

Dados do IBGE apontam diferenças em saneamento, internet, deslocamento, participação política e presença no serviço público federal.

Censo 2022 mostra desigualdade no acesso a serviços para pessoas com deficiência
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Dados do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 18, mostram que pessoas com deficiência vivem em moradias com menor acesso a saneamento básico, internet e eletrodomésticos do que aquelas sem deficiência.

Saneamento e condições das moradias

O acesso simultâneo a três serviços de saneamento básico — abastecimento de água, coleta de lixo e esgotamento sanitário — alcança 56,6% dos lares onde vivem pessoas com deficiência. Entre as moradias ocupadas apenas por pessoas sem deficiência, o índice é de 60,2%.

A ligação à rede coletora de esgoto ou o uso de fossa está presente em 59,8% das residências com pessoas com deficiência, contra 63,1% das demais. No abastecimento de água por rede ou distribuição, os percentuais são de 82% e 83,1%. Já a coleta de resíduos chega a 90,1% e 91,1%, respectivamente.

Também há diferenças na estrutura dos imóveis. Banheiro exclusivo não está disponível em 2,4% dos lares com pessoas com deficiência, ante 2,2% das casas onde vivem apenas pessoas sem deficiência. Paredes externas feitas predominantemente com material não durável aparecem em 1,4% das primeiras moradias e em 1,2% das demais.

A internet está disponível em 78,9% dos lares com pessoas com deficiência e em 90,2% dos domicílios ocupados exclusivamente por pessoas sem deficiência. A presença de máquinas de lavar também é menor: 60,4%, contra 68,9%.

O indicador em que o primeiro grupo apresenta percentual inferior é o adensamento excessivo. Domicílios com três ou mais pessoas por dormitório abrigam 3% das pessoas com deficiência e 4,8% daquelas sem deficiência. Para o pesquisador do IBGE Leonardo Queiroz Athias, uma explicação está na idade da população: “Uma boa parte das pessoas com deficiência é idosa.”

Deslocamento até o trabalho

Trabalhadores com deficiência levam, em média, 37 minutos para chegar ao trabalho, enquanto os demais gastam 33 minutos. O ônibus ou BRT é o principal meio de transporte do primeiro grupo, com 24,7%, e aparece com 21% entre os trabalhadores sem deficiência.

O deslocamento a pé é feito por 23,7% das pessoas com deficiência, contra 17,4% das demais. De bicicleta, os índices são de 7,8% e 6,1%. Automóveis e táxis são usados por 22,8% dos trabalhadores com deficiência e por 32,8% daqueles sem deficiência. No caso de motocicletas e mototáxis, os percentuais são de 14,3% e 17%.

Participação política e serviço público

Entre 2020 e 2024, o número de pessoas com deficiência eleitas nas eleições municipais caiu de 578 para 415. Entre vereadores homens, passou de 459 para 356; entre mulheres eleitas para câmaras municipais, de 63 para 35.

Nas prefeituras, o total de homens eleitos recuou de 47 para 23, enquanto o de mulheres passou de nove para uma. As candidaturas para vereador e prefeito diminuíram de 6.409 em 2020 para 4.813 em 2024. Athias afirmou: “A gente vê uma piora na representação das pessoas com deficiência, com diminuição de candidaturas e de pessoas eleitas”.

No serviço público federal, a participação de servidores com deficiência subiu de 0,6% em 2019 para 3,1% em 2025. Nos cargos comissionados, passou de 0,5% para 2,8% nos níveis 1 a 12 e de 0,2% para 1,5% nos níveis 13 a 17.

Entre 2024 e 2025, a presença entre servidores aumentou de 1,9% para 3,1%. Nos cargos de níveis 1 a 12, passou de 1,5% para 2,8%; nos níveis 13 a 17, de 0,9% para 1,5%. O crescimento é associado ao aumento de servidores identificados com transtorno do espectro autista (TEA).

Acessibilidade nos municípios

Dados de 2023 indicam que 490 dos 5.570 municípios brasileiros tinham adaptação de espaços públicos para facilitar a acessibilidade de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Esses municípios reuniam 34,5% das pessoas com deficiência do país.

Leis específicas para garantir passe livre municipal no transporte coletivo existiam em 480 cidades, onde viviam 46,1% da população com deficiência. Por outro lado, 83,8% das pessoas desse grupo moravam em municípios com políticas ou programas de promoção voltados a elas.

O levantamento registra ainda que 18,9% viviam em municípios com fundo municipal para os direitos da pessoa com deficiência, enquanto 36,5% estavam em cidades que tinham pessoal capacitado na prefeitura para atender esse público.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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