JARAGUÁ DO SUL — A advogada Fernanda Klitzke, 2ª suplente na chapa ao Senado de Décio Lima (PT), afirma ter sido agredida e atingida por disparos de bala de borracha durante uma abordagem da Polícia Militar em um evento político. Ela foi detida, levada à delegacia e recebeu atendimento médico depois de ser liberada.
Fernanda disse que não reagiu à abordagem e classificou as agressões como injustificadas. Segundo ela, uma policial tentou imobilizá-la com um golpe conhecido como mata-leão. Depois, ao entregar as mãos, ela teria levado um chute, caído no chão e sido atingida pelos disparos.
“Quando eu senti que ia desmaiar com o mata-leão, eu entreguei as minhas mãos e acabei levando um chute”, relatou Fernanda.
A advogada afirmou que foi atingida por pelo menos três tiros. Os disparos teriam danificado a chave do carro que estava no bolso dela e furado a calça, além de causado lesões que Fernanda classificou como graves. As imagens do episódio mostram um policial direcionando a arma de bala de borracha às pessoas e atirando contra as pernas da candidata, que estava no chão. O vídeo também registra uma rasteira e chutes.
Versões sobre a ocorrência
Conforme o relatório da Polícia Militar, a equipe foi acionada após uma reclamação de perturbação do sossego e ameaça. Uma moradora informou que havia pedido a redução do volume do som de um veículo estacionado em frente à residência. Segundo o relato, o barulho teria provocado agitação no filho dela, que possui transtorno do espectro autista.
A PM informou que localizou o homem apontado pela moradora em uma residência próxima. Durante a abordagem, ele teria resistido às ordens dos policiais e proferido ofensas contra a equipe, o que levou à prisão por desacato.
Ainda segundo a corporação, duas mulheres interferiram fisicamente na condução. Fernanda teria se apresentado como advogada do homem para orientá-lo. A Polícia Militar afirma que uma policial sofreu lesão na mão e recebeu atendimento médico. Ao todo, três pessoas foram conduzidas à delegacia.
A corporação declarou que empregou meios de menor potencial ofensivo e técnicas de contenção para preservar a segurança dos agentes. O comando da Polícia Militar de Jaraguá do Sul informou que a Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Santa Catarina vai apurar integralmente as circunstâncias da ocorrência e a atuação dos policiais.
Reações
O governador Jorginho Mello, candidato à reeleição pelo PL, classificou o caso como uma armadilha da esquerda contra a Polícia Militar de Santa Catarina.
O PT de Santa Catarina solicitou ao Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) uma apuração urgente sobre o episódio. Gelson Merisio, candidato ao governo de Santa Catarina pela mesma coligação, também pediu providências ao presidente do TRE-SC, desembargador Carlos Roberto da Silva.
O tribunal informou que acompanha os desdobramentos do caso e declarou confiar na apuração dos fatos pelas autoridades competentes.
Décio Lima manifestou solidariedade a Fernanda e afirmou que as prerrogativas profissionais da advogada devem ser preservadas. Ele também condenou a violência registrada durante a abordagem.








