Três deputados federais do PT apresentaram uma ação à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) contra Nikolas Ferreira (PL-MG). O pedido inclui a cassação do mandato e a declaração de inelegibilidade do parlamentar por oito anos, sob acusação de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação social.
A iniciativa trata da divulgação, nas redes sociais, de uma imagem apresentada como um relatório da Polícia Federal. O documento afirmava que não havia indícios de crimes cometidos pelo deputado, mas a corporação negou ter produzido o material ou realizado a análise indicada nele.
A publicação ocorreu após a divulgação de mensagens e áudios trocados entre Nikolas Ferreira e o empresário Daniel Vorcaro. O conteúdo foi obtido em um celular apreendido pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e obstrução de justiça envolvendo o Banco Master.
Elementos apontados na ação
Um laudo técnico anexado pelos deputados descreve inconsistências no documento compartilhado. A imagem registrava conversas com datas de janeiro de 2025, embora as mensagens reais da investigação tenham ocorrido em março de 2025. Também não havia assinatura, matrícula de servidor, número de procedimento ou código de verificação.
Outra divergência envolve a página 156. No relatório verdadeiro da Polícia Federal, esse trecho trata de pagamentos a um escritório de advocacia, e não do conteúdo que circulou nas redes sociais.
Nikolas Ferreira afirmou que não sabia que o papel era falso. O deputado disse que apenas compartilhou uma publicação de outra página e que apagou o post após a repercussão.
Os autores da ação — Rogério Correia (PT-MG), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Alencar Santana (PT-SP) — sustentam que a retirada da postagem não elimina seus efeitos. Eles também afirmam que o parlamentar reúne mais de 27 milhões de seguidores em suas contas oficiais.
A petição solicita ainda a abertura de inquérito criminal para investigar a falsificação de selos públicos e a disseminação de desinformação. Os deputados argumentam que as regras eleitorais obrigam candidatos a verificar a autenticidade de conteúdos produzidos por terceiros antes de divulgá-los.








