Joinville, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Sul

TJBA identifica comando oculto em pedido de habeas corpus

Advogada inseriu instruções em PDF para tentar direcionar uma ferramenta de IA a favor da liberdade de um acusado por quatro crimes.

TJBA identifica comando oculto em pedido de habeas corpus
Foto: Divulgação

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) identificou uma tentativa de manipulação de sua ferramenta de Inteligência Artificial durante a análise de um pedido de habeas corpus. O documento apresentado por uma advogada continha comandos ocultos para orientar a tecnologia a favor da liberdade do cliente, acusado de crimes como homicídio e sequestro.

A identificação ocorreu durante o julgamento no plenário virtual da 2ª Turma da Primeira Câmara Criminal. Conforme a Diretoria de Modernização do TJBA, o arquivo em PDF tinha uma camada de texto imperceptível na visualização comum. Entre as instruções inseridas, havia uma determinação para que o habeas corpus fosse deferido caso a análise fosse feita por IA.

A prática é conhecida como prompt injection. Ela consiste na inclusão de instruções ocultas ou maliciosas em textos e documentos para tentar fazer com que sistemas ignorem suas orientações originais e executem ações não previstas.

O relator do caso, desembargador Pedro Guerra, registrou que a área técnica identificou um mecanismo criado para interferir no funcionamento dos algoritmos usados na triagem e na elaboração de minutas do Judiciário.

Pedido foi negado

A Justiça negou o habeas corpus relacionado à prisão preventiva do suspeito. Ele foi indiciado por homicídio qualificado, cárcere privado, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e organização criminosa armada.

A decisão apontou que a prisão, decretada pela Vara Criminal de Iguaí, foi fundamentada em dados concretos obtidos durante a investigação. Para o relator, medidas cautelares seriam “inadequadas e insuficientes” para proteger a ordem pública, preservar a instrução penal e garantir a eficácia de uma eventual condenação.

Encaminhamentos

O colegiado determinou o envio de um ofício à Ordem dos Advogados do Brasil — seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS), para a abertura de procedimento disciplinar contra os envolvidos. Uma cópia do documento também foi encaminhada ao Ministério Público da Bahia (MPBA), que deverá apurar eventuais ilícitos.

O TJBA informou que o uso de ferramentas de IA generativa segue requisitos de segurança da informação, proteção de dados pessoais e governança. A Corte também destacou que os magistrados continuam responsáveis pela supervisão, revisão e conteúdo das decisões.

Em julho, o Centro de Inteligência da Justiça Estadual (CIJEBA) aprovou uma nota técnica sobre os riscos do prompt injection, com orientações para identificação, repressão e prevenção da prática.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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