SÃO PAULO — A remoção de uma tatuagem a laser depende da combinação entre a energia aplicada sobre os pigmentos e a ação contínua do organismo. Os pulsos do equipamento quebram a tinta em partículas menores, que depois são identificadas e absorvidas por células de defesa chamadas macrófagos.
A Hell Tattoo, clínica especializada no procedimento em São Paulo, explicou que os macrófagos capturam os fragmentos e podem conduzi-los pelo sistema linfático. Essa rede transporta a linfa e também conta com os linfonodos, estruturas que filtram esse líquido e participam da resposta imunológica.
Parte dos resíduos pode ficar retida nos linfonodos ou continuar armazenada em células. Outra parcela é processada e eliminada gradualmente pelo organismo, com participação do fígado e dos rins. Por isso, o desenho não desaparece logo após a aplicação: o corpo precisa de tempo para lidar com o material fragmentado pelo laser.
O que influencia o resultado
A quantidade de sessões varia conforme a cor e a profundidade do pigmento, o tamanho do desenho, a região do corpo e o equipamento utilizado. A resposta também muda entre as pessoas. Por essa razão, são estabelecidos intervalos entre as aplicações, permitindo a recuperação da pele e a continuidade do processamento dos fragmentos.
Tatuagens com várias cores podem exigir abordagens diferentes. Alguns pigmentos respondem melhor ao laser, enquanto outros são mais resistentes e podem demandar mais aplicações.
Remoção de desenhos no rosto
Leandro Souza, conhecido como o “homem mais tatuado do Brasil”, já realizou mais de cinco sessões de remoção a laser. O procedimento integra uma mudança em sua vida: o gaúcho passou a se dedicar a uma nova carreira como missionário e estudante de Teologia.
Os desenhos do rosto estão entre os que começaram a ser retirados. Leandro afirmou que a aparência tatuada já dificultou sua busca por emprego. Com o avanço do tratamento, relatou que deixou de ser reconhecido à distância. As caveiras que ainda permanecem no rosto, segundo ele, só são percebidas quando alguém observa a região de perto.








