O câncer colorretal tem aumentado entre pessoas de 25 a 49 anos, levando a comunidade médica a reforçar a prevenção e o diagnóstico precoce. A Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e o Ministério da Saúde apontam crescimento médio anual de 7,6% nos casos entre pessoas com menos de 50 anos. Para o triênio 2026-2028, o Instituto Nacional do Câncer estima 53.810 novos casos.
A mudança no perfil da doença, que está entre os cânceres mais prevalentes no Brasil e no mundo, ganhou repercussão após a morte da cantora Preta Gil, em 2025, aos 50 anos. Neste Setembro Verde, a atenção está voltada aos sinais, aos fatores de risco e às formas de rastreamento.
Sintomas e fatores de risco
A médica oncológica Anelisa Coutinho afirma que ainda não há clareza absoluta sobre os determinantes do crescimento do câncer de intestino em jovens. A doença é multifatorial, e a obesidade está entre os fatores mais relevantes. Segundo a médica, o excesso de peso pode contribuir para aproximadamente 30% dos casos novos em adultos jovens.
Sedentarismo, consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, carnes vermelhas, açúcares refinados, bebidas adoçadas e alcoólicas e tabagismo também estão associados ao risco. Alterações do microbioma intestinal, uso indiscriminado de antibióticos e processos inflamatórios crônicos ainda são investigados. Fatores hereditários e síndromes genéticas respondem por cerca de 10% dos casos em jovens.
Entre os sinais que exigem avaliação estão sangue nas fezes, mudança persistente no hábito intestinal, alteração no formato das fezes, dor ou desconforto abdominal, anemia, perda de peso sem explicação e sensação de evacuação incompleta. A médica coloproctologista Fernanda Coelho ressalta que esses sintomas não significam necessariamente câncer, mas o sangramento persistente ou recorrente deve ser investigado.
Foi durante uma gravidez que Poliana Leite, então com 36 anos, teve sintomas como dores fortes, vômitos e fezes finas, escuras e com sangue. Ela não imaginava ter a doença por considerar que sua idade representava um risco menor. Após o parto, expulsou um pedaço do tumor pelo reto, com muito sangramento. A colonoscopia confirmou o diagnóstico, e Poliana deixou Feira de Santana para realizar tratamento cirúrgico e quimioterápico em Salvador.
Rastreamento e prevenção
A colonoscopia permite examinar o reto, o intestino grosso e o final do intestino delgado. O exame também possibilita retirar pólipos, que geralmente não são câncer, mas podem sofrer alterações e se transformar em tumor maligno.
De acordo com Anelisa Coutinho, as diretrizes mundiais mais recentes recomendam a colonoscopia para adultos assintomáticos a partir dos 45 anos. A repetição pode ocorrer em intervalos de um a dez anos, conforme os achados, o histórico familiar e outras características individuais. A médica gastroenterologista Alice Cairo reforça que a idade de início e a periodicidade devem ser definidas de forma individualizada.
Outra opção é o FIT, teste imunoquímico fecal que detecta hemoglobina humana nas fezes. O exame foi incluído pelo Ministério da Saúde na tabela SUS em agosto deste ano como referência inicial para o rastreamento. A recomendação citada é para pessoas assintomáticas entre 50-75 anos, em uma triagem de larga escala.
A prevenção inclui alimentação equilibrada, com fibras, frutas, verduras e legumes, atividade física e controle do peso. Também são recomendados hidratação adequada e redução do consumo de alimentos ultraprocessados, carnes processadas, álcool e excesso de açúcar. Sangue nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal, dor abdominal, perda de peso sem causa aparente ou anemia devem ser avaliados por um especialista.








