O Ministério Público da Bahia (MP-BA) ajuizou uma ação civil pública contra três empresas suspeitas de intermediar pagamentos para plataformas de apostas online não autorizadas. O órgão pediu à Justiça o bloqueio de até R$ 5 milhões em bens, direitos e ativos financeiros das companhias e de seus sócios.
A investigação começou depois que um consumidor relatou ter sofrido um golpe e acumulado perdas superiores a R$ 100 mil. A ação foi apresentada pela promotora de Justiça Joseane Suzart e divulgada na terça-feira, 8.
Como o dinheiro seria movimentado
Segundo o MP-BA, a Nuoro Pay Instituição de Pagamento Ltda e a Select Credit Sociedade de Crédito ao Microempreendedor e Empresa de Pequeno Porte Ltda. teriam intermediado pagamentos destinados a casas de apostas sem autorização para funcionar. O órgão afirma que as empresas não teriam verificado de forma suficiente a idoneidade dos beneficiários nem monitorado adequadamente transações consideradas atípicas.
A Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A. é apontada como responsável por fornecer tecnologia e infraestrutura usadas pela Nuoro Pay nessa intermediação. Conforme a investigação, os depósitos feitos pelos jogadores passariam por intermediadoras e outras empresas receptoras, em vez de serem enviados diretamente às plataformas de apostas. Em alguns comprovantes analisados, os nomes dessas plataformas não apareciam.
A apuração também identificou empresas criadas recentemente, endereços repetidos, documentos com possíveis sinais de edição e mudanças sucessivas na composição societária.
Reclamações e pedidos à Justiça
Em levantamento realizado em julho de 2025, o MP-BA encontrou 1.536 reclamações relacionadas à Nuoro Pay em plataformas de consumidores. Os registros incluíam pedidos de devolução de dinheiro, consultoria financeira e problemas sem solução. Também havia relatos de supostos golpes e fraudes financeiras envolvendo jogos e apostas.
O consumidor encaminhou informações sobre o caso ao Ministério da Fazenda, ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ao Banco Central, à Receita Federal, à Polícia Federal e ao Ministério Público do Paraná.
Além do bloqueio de valores, o MP-BA pediu a responsabilização das empresas, a desconsideração da personalidade jurídica e o encerramento definitivo das atividades da Nuoro Pay, da Select Credit e da Cartos. A medida permitiria incluir os sócios na responsabilização.
O órgão também solicitou mecanismos mais rígidos de controle das transações, com consulta às listas de operadores autorizados e não autorizados mantidas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.









