SALVADOR — O júri popular de Edgar Santos da Silva e Patric Ribeiro Tupinambá, acusados pela morte do cabeleireiro Valdir Macário, foi adiado pela sétima vez. A sessão estava marcada para a manhã desta quinta-feira, 10, no Fórum Ruy Barbosa, no bairro de Nazaré, em Salvador.
Edgar é apontado como mandante do crime, enquanto Patric é acusado de ser um dos executores. O adiamento ocorreu depois que Ivan Jezler, advogado de Edgar, foi internado no Hospital Mater Dei durante a madrugada. Segundo o defensor, ele apresentava um quadro viral que havia se agravado, permanecia no soro e passava por exames.
“Em virtude dessa situação de saúde, não conseguirá comparecer à sessão do júri”, afirmou Jezler.
O advogado da família de Valdir, Alonso Guimarães, criticou a nova suspensão e disse que pretende pedir ao magistrado que oficie a Defensoria Pública da Bahia. A solicitação é para que o órgão assuma a defesa de Edgar caso Jezler não possa participar do próximo julgamento.
Guimarães também afirmou que deve pedir o acompanhamento da Ordem dos Advogados da Bahia. A preocupação, segundo ele, é que a sessão ocorra sem o advogado constituído e posteriormente seja questionada por nulidade absoluta, o que poderia provocar novo adiamento.
Histórico de adiamentos
O julgamento já havia sido suspenso outras seis vezes por obstáculos processuais. Em uma das ocasiões anteriores, Patric compareceu ao fórum sem advogado e informou que seus representantes haviam deixado o caso no dia 5 de agosto, véspera da sessão.
Com a ausência da defesa, a Defensoria Pública passou a prestar assistência jurídica a Patric. Como os dois acusados respondem ao processo em conjunto, o julgamento de Edgar também foi adiado. O Ministério Público do Estado da Bahia defendeu que os réus fossem julgados simultaneamente.
O crime ocorreu em 12 de novembro de 2016, no Salão Valdir Cabeleireiro, localizado na Avenida Vasco da Gama, em Salvador. Dois homens atiraram contra o cabeleireiro diante de funcionários e clientes. Imagens de segurança mostram Patric e outro homem chegando ao estabelecimento enquanto Valdir atendia um cliente.
Ao perceber a ação, a vítima correu para o banheiro. O terceiro suspeito, que ainda não foi identificado, teria seguido Valdir e efetuado cerca de 20 disparos de pistola calibre .40. Patric teria rendido as pessoas no salão, enquanto Edgar permanecia dentro de um carro aguardando os comparsas. Na descrição apresentada pela acusação, um dos envolvidos portava um fuzil 556.
Investigações
As investigações da Polícia Civil apontaram Edgar como mandante. Em depoimento ao então diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegado José Bezerra, ele confessou ter ordenado o assassinato por acreditar que Valdir acobertava o relacionamento entre seu irmão, Reginaldo Manoel da Silva, e sua esposa, Jucilene Alves dos Santos.
Ainda conforme a investigação, em 15 de outubro de 2016, Edgar havia pago cerca de R$ 20 mil para que homens matassem Reginaldo. Ele também afirmou ter se sentido ameaçado depois que Valdir declarou que a tentativa de homicídio contra Reginaldo não ficaria impune.
A família do cabeleireiro continua buscando informações sobre o terceiro homem registrado nas imagens. Ele aparece usando calça escura, camisa rosa e boné vermelho.
A Polícia Civil da Bahia informou que o inquérito foi concluído e enviado ao Poder Judiciário em 13 de março de 2017. A corporação declarou que as investigações foram encerradas, naquele momento, em relação aos envolvidos identificados e que o procedimento não retornou para novas diligências.









