CAMPINAS — Guarani e Ponte Preta enfrentam dificuldades financeiras, mas estão em estágios diferentes na tentativa de criar uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Enquanto o Bugre se aproxima da decisão sobre a transferência de 90% de sua futura SAF ao grupo de Roberto Graziano, a Macaca ainda precisa reconstruir o processo desde o início.
No Guarani, a votação está prevista para 2 de outubro. O clube analisa um contrato de 83 páginas apresentado pelo grupo de Graziano, com previsão de investimentos de até R$ 1,075 bilhão. O projeto inclui a construção de um estádio e de um centro de treinamento, aportes no futebol e recursos para enfrentar o passivo incluído na recuperação judicial.
Proposta do Guarani será analisada pelos conselheiros
Pelo modelo apresentado, o grupo interessado ficaria com 90% da SAF, enquanto o clube associativo manteria 10%. Antes da votação, os conselheiros discutem as garantias oferecidas, os prazos estabelecidos e os mecanismos de proteção ao patrimônio do Guarani.
A proposta ainda não foi concluída. O clube, porém, já tem um contrato formal, conhece o grupo interessado no controle da SAF e tem definidos os percentuais destinados ao investidor e à associação.
Na Ponte Preta, a assembleia realizada em 19 de setembro tratou apenas da autorização para criar a SAF. Dos 384 associados presentes, 234 votaram a favor e 150 foram contrários. A aprovação exigia dois terços dos votos previstos no estatuto, e a proposta precisava de mais 22 votos para alcançar esse percentual.
Com a rejeição, uma possível oferta próxima de R$ 1 bilhão, valor mencionado pela diretoria, não chegou à análise oficial dos associados. O investidor não havia sido apresentado publicamente.
Ponte terá de refazer etapas internas
Para retomar a discussão, a Ponte Preta precisará formar uma comissão, elaborar pareceres, passar pela análise dos conselhos e convocar uma nova assembleia. O clube, assim, voltará às primeiras etapas da tentativa de implantação da SAF.
A dívida da Ponte é estimada em cerca de R$ 380 milhões. O clube também enfrenta atrasos, saída de jogadores, protestos e dificuldades com despesas do cotidiano. O Guarani tem um passivo elevado e uma recuperação judicial complexa, além de buscar recursos para reorganizar as finanças e voltar a competir em um nível mais alto.
A diferença entre os rivais está no estágio político e institucional das negociações: o Guarani se prepara para decidir sobre uma proposta formal, enquanto a Ponte Preta ainda precisa reconstruir o caminho para que uma eventual oferta seja analisada.








