A Ponte Preta tem uma dívida consolidada estimada em aproximadamente R$ 367 milhões, informou o diretor jurídico José Henrique Specie. O valor foi identificado por uma auditoria independente e inclui compromissos que levaram à penhora de bens e a tentativas de bloqueio de contas bancárias.
De acordo com Specie, o estádio e o clube social estão penhorados, enquanto executivos tentam bloquear contas correntes. O clube não teria, atualmente, condições de honrar todos os compromissos financeiros.
Recuperação judicial e SAF
O diretor jurídico apontou a recuperação judicial como uma possibilidade para reorganizar as dívidas no futuro. A avaliação, porém, é de que a Ponte Preta ainda não tem capacidade financeira para apresentar um plano de pagamento viável.
A adoção desse caminho dependeria do aumento das receitas. Segundo Specie, a arrecadação atual não seria suficiente para sustentar um programa de reorganização e quitação dos débitos.
Nesse cenário, a discussão sobre a criação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF) aparece ligada à busca por novos recursos. A entrada de investidores poderia ampliar as receitas e gerar valores destinados à associação e ao pagamento das dívidas.
Projeções financeiras
A previsão apresentada pelo clube é de um déficit de aproximadamente R$ 10 milhões ao fim de 2026. A Crear Empreendimentos, nova patrocinadora master, representa uma fonte adicional de arrecadação, mas o acordo não cobriria todas as obrigações financeiras.
Entre os gastos estão as despesas do futebol profissional, funcionários, manutenção da estrutura, tributos, acordos de dívidas e compromissos com órgãos como o CNRD.
Para 2027, o orçamento anual projetado é de aproximadamente R$ 40 milhões. A estimativa inclui salários e custos do futebol profissional, além de despesas com estádio, funcionários, clube social, centro de treinamento, categorias de base e compromissos financeiros.
Assembleia não atinge quórum
A Assembleia que discutiu a possível criação da SAF registrou 384 votos: 234 favoráveis e 150 contrários. Os associados não votaram a aprovação de um contrato ou de uma proposta específica de investidor, mas a autorização para a continuidade do processo de constituição da Sociedade Anônima do Futebol.
O estatuto exige aprovação de dois terços dos presentes. Eram necessários 256 votos favoráveis, mas faltaram 22 votos para alcançar o quórum. O resultado está em análise interna, e a direção deverá comunicar os associados e a comunidade pontepretana após definir os próximos passos.








