Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Futebol

Scouts brasileiros ganham espaço na busca por talentos para clubes estrangeiros

Profissionais produzem relatórios sobre jogadores e contexto pessoal para reduzir riscos em transferências internacionais.

Scouts brasileiros ganham espaço na busca por talentos para clubes estrangeiros

O mercado de scouting no futebol brasileiro cresceu e passou a atender clubes estrangeiros interessados em identificar jovens talentos. Os profissionais, antes chamados de olheiros, analisam partidas, produzem relatórios e levantam informações que não aparecem em bancos de dados ou vídeos.

A atuação inclui aspectos da vida do atleta, como estrutura familiar, situação econômica e social, desempenho escolar, rotina fora do clube e eventual presença de filhos. Para isso, os scouts conversam com funcionários de equipes, empresários, familiares e outras pessoas ligadas ao futebol.

Informações além dos dados

Fred Fortes, responsável pelo scouting do Norwich na América do Sul, afirma que os dados disponíveis se tornaram acessíveis a praticamente todos os clubes. A diferença, segundo ele, está na apuração local e na compreensão do contexto em que o desempenho foi produzido.

“Isso virou commodity”, disse Fortes. Para ele, é necessário observar o comportamento do jogador em diferentes situações, conhecer o entorno do atleta, entender a situação contratual e avaliar se o clube está disposto a negociar.

A presença de profissionais no Brasil também é importante porque muitos jogos das categorias de base não são transmitidos. Alguns clubes enviam funcionários do próprio país ao Brasil, como o Borussia Dortmund. Outros montam equipes locais. O Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, conta com quatro scouts no país.

O Norwich considera a contratação de Gabriel Sara um resultado positivo do trabalho de sua área. O jogador foi comprado do São Paulo por cerca de 10,5 milhões de euros, em 2022, e vendido ao Galatasaray, da Turquia, dois anos depois, por 18 milhões de euros.

Rotina e remuneração

A rotina envolve assistir a partidas, buscar informações sobre atletas e elaborar relatórios. Profissionais ouvidos sob anonimato afirmaram produzir, em média, 25 documentos de jogadores por mês. Os arquivos ficam armazenados nos sistemas dos clubes e podem ser consultados anos mais tarde.

O Arsenal, por exemplo, tinha relatórios sobre Bruno Guimarães desde a adolescência quando contratou o jogador nesta janela de transferências. Os scouts também participam de reuniões online, viajam para as sedes das equipes e costumam se encontrar presencialmente pelo menos uma vez por ano.

Entre as vantagens apontadas estão a flexibilidade de horários, a estabilidade, processos mais definidos e salários maiores. Contratos em libras favorecem os profissionais que trabalham para clubes ingleses: a moeda está cotada em R$ 7. Nesse cenário, o serviço para uma equipe estrangeira pode render de duas a cinco vezes mais do que a atividade em um clube brasileiro.

Os clubes nacionais já oferecem bons salários aos chefes de scouting, mas os demais integrantes dos departamentos costumam receber vencimentos modestos.

Transformação da profissão

Sandro Orlandelli foi um dos primeiros brasileiros a trabalhar como scout para um clube estrangeiro. Em 2002, depois de atuar na estrutura das categorias de base do Corinthians e do São Paulo, ele conseguiu um estágio no Arsenal. Mais tarde, passou a buscar talentos na América do Sul, sob a confiança de Arsène Wenger.

Naquele período, a tecnologia era menos presente e o trabalho dependia mais de relações pessoais. Orlandelli contou que recebia gravações em DVD e viajava com uma mala extra para transportar o material. Ele permaneceu no Arsenal por uma década e atualmente trabalha para o FC Dallas, dos Estados Unidos.

A recepção aos scouts também mudou. No início, Orlandelli afirma que tinha dificuldade para obter informações e acesso aos jogos. Hoje, os clubes são comunicados sobre a presença do profissional, que pode ser recebido em áreas destinadas a convidados.

Além do Arsenal e do FC Dallas, Orlandelli passou por Manchester United, CBF, Athletico-PR, Santos e Bragantino.

Crescimento internacional

Não há sindicato ou associação de classe suficientemente organizada para indicar quantos brasileiros trabalham como scouts para equipes estrangeiras. Ainda assim, o crescimento do mercado é apontado como evidente na última década.

Mais da metade dos clubes da Premier League tem scout no Brasil. Arsenal, Chelsea e Crystal Palace contam com mais de um profissional no país.

A saída do Reino Unido da União Europeia, em 2021, também alterou o cenário. Jogadores italianos, espanhóis, franceses e de outras nacionalidades europeias passaram a enfrentar restrições de imigração semelhantes às impostas a atletas de outros países. Com isso, os brasileiros ganharam espaço nas avaliações feitas por clubes ingleses.

Fred Fortes afirma que o mercado sul-americano ficou mais disputado e caro do que cinco anos atrás. A profissionalização dos clubes brasileiros por meio das SAFs aumentou a concorrência por jogadores que anteriormente deixavam o continente mais cedo e por valores menores.

Orlandelli avalia que o crescimento do scouting no Brasil ocorreu nos últimos 10 ou 11 anos. Além dos clubes europeus, o mercado árabe, a MLS e o Japão também passaram a observar a América Latina.

Para quem deseja ingressar na área, profissionais recomendam capacitação. Barcelona, Federação Inglesa e ATFA oferecem cursos avaliados no mercado. A CBF Academy tem uma formação online em scouting, com 40 horas de aulas, por R$ 1,8 mil. Além do conteúdo, os cursos podem ajudar na criação de uma rede de contatos necessária para entrar na profissão.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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