O futebol brasileiro passou a ter empresários com participação direta na gestão de clubes por meio das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). Pedro Lourenço já controla o Cruzeiro, Rubens Menin é sócio da SAF do Atlético-MG e Marcos Lamacchia venceu o leilão pela SAF do Vasco, embora a operação ainda dependa de etapas internas no clube.
Antes desse modelo, empresas como Parmalat, MSI e ISL colocavam dinheiro em equipes e ajudavam a viabilizar contratações, mas não assumiam completamente as administrações esportiva e financeira. Também houve empresários conhecidos por empréstimos, patrocínios e doações, como Paulo Nobre, Delcir Sonda, a família Klein e Luciano Hang.
Pedro Lourenço e o Cruzeiro
Pedro Lourenço de Oliveira, de 70 anos, fundou uma rede de supermercados com atuação em Minas Gerais e no Espírito Santo. Nascido em Paineiras, mudou-se aos 18 anos para Belo Horizonte, onde começou a trabalhar no varejo. A mercearia criada por ele se transformou em uma rede com mais de 400 lojas e faturamento de R$ 26 bilhões no último ano.
Antes de comprar a SAF que pertencia a Ronaldo Fenômeno, Lourenço fez investimentos e empréstimos ao Cruzeiro. Em 2015, emprestou R$ 6 milhões para a contratação do meia Arrascaeta junto ao Defensor, do Uruguai. Ele também tem mais de R$ 28 milhões a receber do clube no processo de Recuperação Judicial.
O empresário adquiriu 90% das ações da SAF celeste por cerca de R$ 600 milhões. Os 10% restantes permanecem com a associação. Do valor total, R$ 100 milhões em dívidas foram convertidos em ações, R$ 150 milhões foram pagos em 2024 e R$ 350 milhões serão quitados ao longo de dez anos.
Nesta temporada, o Cruzeiro investiu mais de R$ 300 milhões em reforços e tem folha salarial estimada em R$ 30 milhões mensais. Não há cálculo divulgado por publicações especializadas para a fortuna total de Pedro Lourenço.
Rubens Menin no Atlético-MG
Rubens Menin Teixeira de Souza, de 70 anos, é engenheiro civil formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Seus negócios estão concentrados nos setores de construção civil, mercado financeiro e telecomunicações.
Menin detém 41,8% das ações da SAF do Atlético-MG. Em 2023, ele, Rafael Menin, Ricardo Guimarães e Renato Salvador compraram 75% da operação por cerca de R$ 913 milhões. Parte do montante foi compensada por dívidas do clube relacionadas a empréstimos feitos pelos investidores.
Rubens e Rafael Menin estimam um aporte de R$ 500 milhões para este ano, direcionado à quitação de débitos bancários. O último balanço financeiro aponta dívida atleticana de R$ 1,8 bilhão, com aproximadamente R$ 941 milhões em pendências com bancos.
Daniel Vorcaro possui cerca de 20% da SAF após aportes de R$ 100 milhões e R$ 200 milhões. Ele foi afastado do Conselho de Administração após ser preso por suposto envolvimento no caso do Banco Master. Com o novo aporte dos Menin, sua participação deve cair para algo entre 4% e 5%.
A Forbes estima em R$ 9,2 bilhões a fortuna de Rubens Menin, que ocupa a 36ª posição entre os mais ricos do Brasil.
Proposta de Marcos Lamacchia pelo Vasco
Marcos Lamacchia, de 47 anos, é formado em administração e tem especialização em contabilidade e direito empresarial. Ele atua no mercado financeiro e é filho de José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa, e da banqueira Junia Faria. José Roberto é casado com Leila Pereira, presidente do Palmeiras.
A proposta apresentada por Lamacchia prevê R$ 500 milhões em aportes diretos no futebol, o perdão de uma dívida de R$ 80 milhões e R$ 150 milhões para o centro de treinamento. O projeto também inclui aproximadamente R$ 1,3 bilhão em dívidas concursais e extraconcursais, além da cobertura do déficit de caixa dos próximos cinco anos, estimado em R$ 300 milhões anuais. Esse último compromisso totaliza R$ 1,5 bilhão.
O pacote global supera R$ 3 bilhões. A Almirante Participações S/A, empresa de Lamacchia, venceu o leilão para comprar a SAF, mas a venda ainda não foi concluída. A documentação da proposta vencedora foi encaminhada aos conselhos do Vasco.
A estrutura acionária atual tem 31% da 777 Partners, 30% do Vasco e 39% em disputa na câmara de arbitragem. A SAF está sob controle administrativo do clube associativo, presidido por Pedrinho. Não há dados públicos exatos sobre a fortuna individual de Lamacchia. O patrimônio de seu pai, somado ao de Leila Pereira, é estimado em R$ 8,8 bilhões.
Outros empresários ligados a clubes
Roberto Graziano, dono do Grupo Magnum e do São Bernardo, é o principal interessado na compra da SAF do Guarani. Ele adquiriu o estádio Brinco de Ouro da Princesa por R$ 44 milhões. A proposta pelo clube prevê uma operação de R$ 750 milhões, com gatilhos que podem elevar o montante a R$ 1,075 bilhão. O plano estabelece R$ 400 milhões em investimentos no futebol ao longo de 20 anos e R$ 350 milhões para o pagamento de dívidas.
Marcelo Marques desembolsou R$ 145 milhões para adquirir a gestão da Arena do Grêmio junto à Arena Porto-Alegrense e assumiu dois terços da dívida de construção do estádio. Depois, repassou a administração ao Grêmio, que passou a gerir integralmente as receitas e despesas do local.
Delcir Sonda doou R$ 20 milhões ao Internacional para a quitação de salários atrasados. Paulo Nobre, presidente do Palmeiras entre 2013 e 2016, contraiu empréstimos superiores a R$ 100 milhões para ajudar o clube. Sua fortuna é estimada em mais de R$ 4 bilhões, e o Palmeiras não tem mais valores a pagar a ele.
Guilherme Bellintani é dono do Londrina e do Linense. Jorge Machado, proprietário do São Caetano, afirmou ter colocado entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões no clube, que possui dívida aproximada de R$ 72 milhões e disputa a quarta e penúltima divisão do futebol paulista.
Outra operação em andamento envolve a Inter de Limeira. O grupo de investidores que conta com Ronaldo e Roberto Carlos pretende comprar 80% das ações da SAF, com investimentos de até R$ 454 milhões ao longo de dez anos. O valor é uma projeção financeira vinculada ao crescimento da empresa e ao cumprimento de metas, não um aporte garantido.








