A Polícia Federal concluiu, nesta terça-feira (17), a investigação sobre o uso ilegal de ferramentas de monitoramento na Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Mais de trinta pessoas foram indiciadas, incluindo o vereador Carlos Bolsonaro (PL) e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).
Carlos Bolsonaro é apontado pela PF como chefe do chamado “gabinete do ódio”. Conforme a investigação, o grupo teria usado informações obtidas pela estrutura conhecida como “Abin paralela” para produzir e disseminar conteúdos nas redes sociais contra adversários políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ramagem, que foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência durante o governo Bolsonaro, é apontado como o principal responsável pela organização do monitoramento ilegal. A investigação também confirmou a atuação de Jair Bolsonaro por organização criminosa. Segundo a PF, o ex-presidente sabia como a estrutura funcionava, não adotou medidas para interromper as atividades e utilizou o esquema em benefício próprio.
O nome de Bolsonaro não aparece necessariamente na lista formal de indiciados porque ele já responde pelo mesmo crime na ação do golpe. A justificativa é o princípio da vedação da dupla incriminação, que impede uma pessoa de responder duas vezes pelo mesmo fato.
Rastreamento de celulares
As apurações indicam que policiais, servidores e funcionários da Abin formaram uma organização criminosa para monitorar pessoas e autoridades públicas. O grupo teria invadido celulares e computadores sem autorização judicial, com foco em desafetos do governo Bolsonaro.
O relatório da PF aponta uso irregular do sistema israelense de geolocalização FirstMile, desenvolvido pela empresa Cognyte, antiga Verint. A ferramenta teria permitido rastrear até 10 mil celulares por ano nos três primeiros anos do governo Bolsonaro e foi utilizada especialmente em 2021, período pré-eleitoral.
Ministros do STF, deputados e jornalistas também teriam tido suas localizações rastreadas pela estrutura. As defesas dos indiciados foram procuradas e as manifestações são aguardadas.








