A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União cumprem 49 mandados de busca e apreensão na operação Make Up, que investiga um suposto desvio de recursos públicos relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Não há mandados de prisão na ação.
Entre os alvos estão a produtora Karina Gama e o deputado federal Mario Frias (PL-SP). Também são realizadas buscas no Instituto Conhecer Brasil (ICB) e na Academia Nacional de Cultura (ANC), entidades de propriedade de Karina. A empresa Go Up, produtora do filme, não está entre os alvos dos mandados.
O caso é relatado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito, que tramitava em São Paulo, foi transferido para a Corte. A investigação apura a suspeita de que uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados tenha direcionado recursos de emendas parlamentares a uma organização da sociedade civil e, depois, a empresas subcontratadas irregularmente. Também não haveria comprovação de que os serviços foram prestados.
A PF afirma ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao suposto esquema. Os investigadores apuram peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. Auditoria da CGU apontou suspeita de desvio de uma emenda de R$ 2 milhões indicada por Frias para entidades ligadas a Karina, com gastos sem comprovação.
Frias é roteirista e produtor-executivo de “Dark Horse”. Em maio, ele afirmou ao STF que as emendas destinadas a organizações não governamentais ligadas à produtora não haviam sido enviadas para “qualquer produção cinematográfica”. Os citados na operação ainda não se pronunciaram.
Outras investigações sobre o filme
Há outra investigação no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça, sobre repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro. O inquérito examina o caminho desse dinheiro.
Em delação premiada assinada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto, Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, disse que a empresa Entre Investimentos fez repasses para o fundo Havengate, nos Estados Unidos. As transações ocorreram de janeiro a setembro de 2025 e somaram US$ 12,333 milhões, valor equivalente a R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro de 2025.
Mineiro afirmou que fez sete repasses em subscrições de cotas. O fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A PF investiga se todo o dinheiro foi destinado ao filme ou se parte teve outros usos.
Contrato em São Paulo
O Instituto Conhecer Brasil também é investigado pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil por causa de um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de wi-fi gratuitos na periferia.
O acordo previa 5 mil pontos até junho de 2025, mas 3.200 haviam sido instalados até a data informada. Três aditivos alteraram o prazo de entrega, e o Ministério Público apura se houve concorrência na contratação.






