A Polícia Federal de Santa Catarina investiga uma possível interferência do governador Jorginho Mello em uma apuração sobre suspeitas de caixa 2 e compra de votos nas eleições municipais de 2024 em Lauro Müller, no sul catarinense. A acusação foi registrada em um ofício enviado pelo delegado regional de Criciúma à Polícia Federal.
O procedimento, que tramitava sob sigilo, foi encaminhado à corporação em 18 de março pelo delegado Antônio Márcio Campos Neves. A remessa ocorreu porque o caso envolve suspeitas de crimes eleitorais e alcança o governador.
No documento, Neves relata que Flávio Lima e Silva Júnior deixou a função de responsável pela investigação em Lauro Müller depois de uma suposta interferência política do prefeito Valdir Fontanella, do PP, junto a Jorginho Mello. A versão apresentada no ofício ainda está sendo apurada.
A estrutura da delegacia também foi citada para justificar a transferência do inquérito. Conforme o documento, a unidade passou a contar apenas com o novo titular, um escrivão e uma agente de polícia.
O governo de Santa Catarina negou que a mudança tenha sido motivada por pressão política. Em nota, informou que Flávio Lima e Silva Júnior foi promovido por tempo de serviço e passou a atuar na comarca de Orleans, município vizinho onde já havia trabalhado. A administração afirmou que barrar a promoção sem justificativa poderia representar ilegalidade administrativa.
Origem da investigação
A apuração começou com uma denúncia apresentada ao Ministério Público Eleitoral em 2024. Empresas relacionadas ao prefeito teriam movimentado valores não declarados à Justiça Eleitoral para custear a campanha de Fontanella.
A denúncia afirma que cheques de R$ 10 mil a R$ 60 mil eram entregues em uma casa lotérica e depois sacados em dinheiro por pessoas ligadas à campanha. A prefeitura de Lauro Müller não havia respondido aos questionamentos até a publicação das informações.








