O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, é acusado de interferir em uma investigação sobre suspeitas de caixa 2 e compra de votos nas eleições municipais de 2024 em Lauro Müller. O caso envolve o atual prefeito do município, Valdir Fontanella, do PP.
O inquérito tramitava em sigilo e foi encaminhado à Polícia Federal em 18 de março de 2026 pelo delegado Antônio Márcio Campos Neves, da delegacia regional de Criciúma. O envio ocorreu porque a apuração envolve possível crime eleitoral e há suspeitas de participação do governador catarinense.
No ofício, Neves afirma que Flávio Lima e Silva Júnior, delegado responsável pelo caso em Lauro Müller, foi retirado da função por interferência política de Fontanella junto a Jorginho Mello. O delegado também declarou que a unidade policial do município não teria estrutura para dar continuidade à apuração. Além do novo titular, a equipe teria apenas um escrivão e uma agente de polícia.
O governo de Santa Catarina contestou essa versão. Em nota, afirmou que Flávio Lima e Silva Júnior deixou a delegacia após ser promovido por tempo de serviço e assumiu a comarca de Orleans, município vizinho onde já trabalhava. O governo declarou que “negar de forma injustificada a promoção por tempo de serviço de um servidor público configura uma ilegalidade administrativa grave”.
Uma denúncia apresentada ao Ministério Público Eleitoral em 2024 afirma que empresas ligadas a Fontanella teriam movimentado recursos não declarados à Justiça Eleitoral para financiar a campanha do prefeito. O documento aponta que cheques de R$ 10 mil a R$ 60 mil eram levados a uma lotérica e depois sacados em dinheiro vivo por integrantes da campanha.
A prefeitura de Lauro Müller não respondeu às solicitações até a publicação.








