Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Instituto ligado a produtora de ‘Dark Horse’ teve tesoureiro que diz nunca ter atuado na ONG

Jacio Dantas aparece em atas do Instituto Conhecer Brasil por seis anos, mas afirma que apenas emprestou o nome para o cargo.

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), comandado por Karina Ferreira da Gama, registrou como tesoureiro-geral por seis anos um eletricista que afirma nunca ter exercido qualquer função na organização. Documentos também mostram divergências nas assinaturas atribuídas a conselheiros em atas do instituto e em registros oficiais externos.

Jacio de Medeiros Dantas, de 64 anos, aparece como tesoureiro-geral em gestões entre 2014 e 2021. O nome dele também consta como secretário de assembleias e em listas de presença. Ao ser questionado, porém, negou ter participado de reuniões ou atividades do ICB.

“Não, nunca [atuei como tesoureiro do ICB]. Até porque eu tenho outro trabalho”, afirmou Dantas. Ele disse que colocou o nome à disposição após um pedido da mãe de Karina, Regina Ferreira da Gama de Nazaré, quando a empresária constituía a organização para um projeto de dança.

Divergências em atas e documentos

As assinaturas atribuídas a Dantas mudam entre diferentes atas do ICB. Em 29 de setembro de 2014, ele aparece como secretário da assembleia que elegeu Karina presidente e também como tesoureiro-geral na lista de presença. Em 2015, assinou uma reforma do estatuto nessa condição.

Já em uma ata de 2 de outubro de 2017, relativa a outra alteração estatutária, e na carta de renúncia ao cargo, em janeiro de 2020, as rubricas são diferentes. Dantas afirmou que não reconhecia como suas as duas assinaturas apresentadas a ele.

A comparação com documentos de um processo judicial do eletricista indicou semelhanças entre sua assinatura oficial e as rubricas de 2014 e 2015. As assinaturas dos documentos de 2017 e 2020, contudo, são distintas.

Também foram identificadas diferenças nas assinaturas de Rafael Tadeu da Silva Santanna, que teria sido secretário-geral entre 2014 e 2017, e de Karina Pereira Penha, que teria assumido a secretaria-geral depois da saída de Santanna. A rubrica de Santanna em 2017 não coincide com a de 2014 nem com assinaturas localizadas em um processo judicial. A de Penha também diverge de uma procuração assinada em janeiro de 2023.

Santanna disse que ficou surpreso com as divergências e que não se lembrava de ter assinado atas ou documentos. Ele pediu acesso aos registros, mas não respondeu depois que eles foram enviados. Penha confirmou ter trabalhado na ONG, sem comentar as assinaturas ou o período em que ocupou o cargo.

Contratos e investigações

Em 2024, o ICB assinou um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalar Wi-Fi público na capital. O acordo é investigado pela Polícia Civil de São Paulo por suspeitas de irregularidades.

A Polícia Federal também investiga possível desvio de recursos de emendas parlamentares destinados ao instituto. Entre os valores apurados estão R$ 2 milhões enviados pelo deputado federal Mario Frias, roteirista e produtor-executivo de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro produzida pela empresa de Karina.

Uma auditoria da Controladoria-Geral da União concluiu que o ICB desviou recursos do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria em sete estados e no Distrito Federal. Dos R$ 11 milhões recebidos pelo instituto, ao menos R$ 2,4 milhões teriam sido superfaturados, segundo a CGU.

Desde 2014, 12 pessoas passaram por funções como conselheiros fiscais, secretários e tesoureiros. Esses cargos incluíam atribuições relacionadas à movimentação de recursos e direito de voto nas assembleias que elegeram e reconduziram Karina à presidência, mantendo o controle da organização.

Regina, mãe de Karina, foi vice-presidente entre setembro de 2014 e setembro de 2017. Os demais integrantes citados tinham atividades profissionais diversas, e os nomes estavam ligados a núcleos no Distrito Federal, em São Paulo e em Uberlândia, Minas Gerais.

O ICB e Karina Ferreira da Gama foram procurados, mas não responderam. O instituto e a empresária podem se manifestar posteriormente.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.

Mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5