Carlos Bolsonaro (PL) voltou ao horário eleitoral gratuito com a bandeira de Santa Catarina ao fundo e direcionou a propaganda às críticas sobre sua falta de vínculo com o estado. Natural do Rio de Janeiro, o candidato ao Senado afirmou que não nasceu em Santa Catarina, mas que foi ali que “renasci”.
Na nova peça, exibida hoje, Carlos citou Santa Catarina quatro vezes. No primeiro programa, levado ao ar na sexta-feira (28), o estado não havia sido mencionado. Apesar da mudança de tom, o candidato não citou nenhum município catarinense nem apresentou uma pauta específica para a região.
Discurso reaproveitado
A maior parte da propaganda já havia aparecido em um vídeo publicado em 21 de junho. Entre os trechos reaproveitados estão a defesa de que Carlos teria “renascido” em Santa Catarina, a referência a um “sistema perverso” instalado em Brasília e a promessa de defender, no Senado, as causas catarinenses ao lado do irmão Flávio.
Carlos também apresentou o sobrenome como sua principal credencial eleitoral. Na propaganda, disse que carrega Bolsonaro no nome e afirmou que Santa Catarina poderia liderar uma caminhada nacional para recolocar o Brasil nos trilhos. Ele não explicou a que se referia ao mencionar o sistema instalado em Brasília.
O primeiro programa, centrado em sua infância e na convivência com Jair Messias Bolsonaro, Eduardo e Flávio, alimentou críticas de adversários. Afrânio Boppré (PSOL), candidato ao Senado, afirmou que as cadeiras catarinenses não poderiam ser entregues a uma família do Rio de Janeiro. O vídeo foi novamente exibido hoje.
A campanha também compartilhou um vídeo no qual Carlos afirma ter escolhido Santa Catarina pelo coração, e não por estratégia. Em outro trecho, ele se apresenta como mais um brasileiro que migrou para o estado e cita uma frase do pai sobre Santa Catarina ser o Brasil que deu certo.
Divisão no PL e cenário eleitoral
A candidatura continua dividindo o PL catarinense. A imposição do nome de Carlos na chapa majoritária ainda não foi resolvida no diretório estadual, enquanto correligionários e partidos da coligação não aderiram à campanha. A chegada dele ao estado, no fim de 2025, foi precedida por meses de atrito público e custou ao governador Jorginho Mello (PL) o apoio do senador Esperidião Amin (PP), candidato à reeleição.
Levantamento Quaest divulgado em 24 de agosto apontou Amin na liderança, com 19% na combinação dos dois votos para o Senado. Carlos apareceu com 16%, e Carol de Toni, com 12%. A rejeição de Carlos foi de 40%, contra 31% de Amin e 12% de Carol.
Carol de Toni pediu votos para Carlos durante seu espaço na propaganda desta segunda-feira, mas ele não fez o mesmo ao encerrar o bloco dos candidatos ao Senado. Amin, por sua vez, tem explorado a identidade local ao se apresentar como “catarinense raiz” e afirmar que conhece o estado de ponta a ponta.








