Joinville, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Flávio Bolsonaro pausa campanha para tentar impedir avanço da PEC da 6×1

Senadores bolsonaristas querem apresentar emendas ao texto de Omar Aziz, que aceita ouvir sugestões, mas não planeja mudar a versão aprovada pela Câmara.

Flávio Bolsonaro interrompe campanha presidencial para tentar barrar a PEC da 6×1

Disputa pela proposta

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) suspendeu a campanha presidencial nesta terça-feira 1º e cumprirá agenda em Brasília para tentar interferir na tramitação da PEC que extingue a escala 6×1. A estratégia do candidato é “construir” uma alternativa ao texto apoiado pelo governo Lula (PT) e impedir que a redução da jornada de trabalho se torne uma das principais bandeiras eleitorais do petista na reta final da campanha.

A ofensiva deve alcançar o relatório apresentado pelo senador Omar Aziz (PSD-AM), na quarta-feira 2. Senadores bolsonaristas planejam pressionar pela inclusão de emendas no texto. Aziz afirmou que está aberto a conversar com os colegas e escutar as sugestões, mas não pretende incorporar alterações ao relatório nem modificar a versão aprovada pela Câmara. Na avaliação do relator, conservar o texto atual também contribui para acelerar a tramitação da proposta.

A movimentação oposicionista acontece no momento em que a PEC passou a ter um caminho mais definido no Senado. O texto diminui a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, garante dois dias de repouso semanal remunerado e preserva a garantia de salário. A proposta ainda acaba com a lógica de seis dias trabalhados para um de descanso.

A estratégia de Flávio possui um componente claramente eleitoral. O próprio entorno do candidato admite que se colocar simplesmente contra o fim da 6×1 é uma posição difícil de defender diante da popularidade da mudança. Pesquisa Quaest divulgada em 15 de julho mostra que 69% dos brasileiros apoiam o fim da escala, enquanto 22% são contrários. Para a campanha, permitir que Lula ocupe esse espaço sozinho daria ao presidente a possibilidade de apresentar a direita como adversária de uma medida de forte apelo entre os trabalhadores.

Por essa razão, Flávio começou a defender uma proposta apresentada por Rogério Marinho (PL-RN), seu coordenador de campanha. Em lugar de fixar constitucionalmente uma nova jornada, a PEC alternativa estabelece um modelo baseado no pagamento por hora trabalhada e na possibilidade de o trabalhador escolher a quantidade de horas e os horários de trabalho. O texto também determina a prevalência do que for combinado entre patrão e empregado sobre convenções e acordos coletivos.

Flávio procura apresentar a ideia como uma defesa da “liberdade de escolha”. Em entrevista à Record, no domingo 30, declarou que o trabalhador poderia decidir quanto deseja trabalhar e receber proporcionalmente às horas trabalhadas. Como exemplo, mencionou mulheres que precisam diminuir a jornada por não terem com quem deixar os filhos.

A articulação também se junta à estratégia de Rogério Marinho para dificultar a votação. O líder da oposição no Senado pretende usar instrumentos regimentais, como pedidos de vista e debates sobre emendas, além de rejeitar acordos que encurtem os prazos para a análise da PEC em dois turnos.

Compromisso com o jornalismo

Muitas pessoas esqueceram o que escreveram, disseram ou defenderam. Nós, não. O compromisso com os princípios do bom jornalismo continua o mesmo.

O combate à desigualdade é importante. A denúncia das injustiças também. Importa uma democracia digna do nome, assim como o compromisso com a verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos leitores fiéis, seguimos atentos.

Texto produzido pela Redação Jogo em Rede com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.

Mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5