Uma nova espécie de pinguim foi identificada após mais de cem anos sem uma descoberta desse tipo. O gentoo-do-sudeste (Pygoscelis kerguelensis) vive nas Ilhas Kerguelen, território isolado no Oceano Índico, e já está em risco de extinção por causa do aquecimento global.
Até 2023, a ciência considerava que havia apenas 18 espécies de pinguins no mundo. O estudo publicado pela Communications Biology mostrou, porém, que os pinguins-gentoo encontrados em ilhas do hemisfério sul e na península antártica pertencem a quatro espécies diferentes.
Análise genética identificou a nova espécie
A pesquisa examinou o sequenciamento genético de 64 pinguins distribuídos por dez locais. A análise indicou que três subespécies de gentoo já conhecidas eram, na realidade, espécies distintas, com linhagens evolutivas próprias.
Entre as amostras, os pesquisadores também encontraram uma quarta linhagem, que correspondia a uma espécie ainda não documentada pela ciência. O gentoo-do-sudeste é muito parecido com os demais pinguins-gentoo. As diferenças mais perceptíveis estão no tamanho e na voz, mas são discretas para pessoas sem conhecimento especializado. As distinções mais significativas aparecem na genética.
O grupo também inclui o pinguim-gentoo-do-leste (Pygoscelis taeniata), encontrado nas ilhas Crozet, Marion e Macquarie; o pinguim-gentoo-do-norte (Pygoscelis papua), que vive nas ilhas Malvinas e Martillo; e o pinguim-gentoo-do-sul (Pygoscelis ellsworthi), presente na Antártica.
A alimentação ajudou os pesquisadores a compreender a evolução dessas aves. Os pinguins-gentoo comem os alimentos que conseguem capturar na água e costumam permanecer próximos das colônias, vivendo na mesma região por anos. Esse comportamento contribui para as adaptações de cada linhagem.
O aquecimento global pode afetar o habitat natural de três dessas espécies até 2050. A exceção é o pinguim-gentoo-do-sul, que vive na Antártica.








